2ª Mostra Nordestina de Cinema de Animação estreia no interior de Pernambuco com programação gratuita
- Lagoa Nerd

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Com exibições gratuitas entre quinta (29) e sábado (31), em Carpina, a Mostra Animaria apresenta filmes com classificação indicativa livre e reúne produções de Pernambuco, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte

A cidade de Carpina, localizada na Zona da Mata Norte, região que se consolida como o terceiro maior polo de captação e produção audiovisual de Pernambuco, recebe entre os dias 29 (quinta-feira), 30 (sexta-feira) e 31 (sábado) a 2ª Mostra Animaria, evento dedicado ao cinema de animação com destaque para produções do Nordeste do Brasil. A iniciativa marca a estreia da mostra no interior do estado e encerra o mês de férias com uma programação cultural gratuita e acessível a públicos de todas as idades.
Promovida pela Dulapis, produtora criativa com atuação no setor audiovisual e na difusão cultural, a mostra aposta na animação como linguagem sensível e potente, capaz de dialogar com crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos e pessoas com deficiência, residentes em Carpina e nos municípios da Mata Norte. Com entrada gratuita e classificação indicativa livre, o evento se apresenta como opção cultural para famílias durante o período de recesso escolar, estimulando o convívio e a formação de público fora do circuito comercial.
O cinema de animação tem origem nas experiências visuais do final do século XIX, baseadas na ilusão de movimento criada pela projeção sequencial de imagens. Ao longo do tempo, a linguagem incorporou diferentes técnicas, como o desenho animado, o stop motion, a animação com recortes, objetos e recursos digitais. O processo de criação envolve etapas como roteiro, storyboard, animação quadro a quadro, edição e finalização sonora, resultando em obras que unem arte, narrativa e tecnologia, com forte potencial educativo e artístico.
É nesse contexto que se insere a Mostra Animaria, idealizada e coordenada pelo artista visual e animador Jefferson Batista, que destaca a importância simbólica e política de realizar um evento desse porte na Mata Norte. Segundo ele, a iniciativa contribui para ampliar o olhar sobre a região, historicamente associada apenas à economia do açúcar e ao corte da cana.
“A Mata Norte vai muito além da produção canavieira. É um território de criação, de arte e de pensamento contemporâneo. Quando falamos de cinema, estamos falando também de novas narrativas sobre quem somos e sobre o que produzimos culturalmente”, afirma.
Para o coordenador, o fortalecimento do audiovisual na região dialoga com um movimento mais amplo de reconhecimento do cinema brasileiro e nordestino no cenário nacional e internacional. “O Brasil voltou a ocupar espaço no debate mundial do cinema, com filmes que chegam a grandes festivais e até a indicações ao Oscar. E o Nordeste também se destaca nesse contexto, inclusive no cinema de animação, que cresce em qualidade técnica, diversidade estética e potência narrativa”, destaca.
Formado em Artes Visuais, com especialização em Arte e Tecnologia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Jefferson Batista desenvolve seus trabalhos artísticos por meio da ilustração e da animação. Ele é diretor, roteirista, diretor de arte e animador do curta-metragem em stop motion “Quando a Chuva Vem?”, lançado em 2019, obra que circulou por centenas de festivais no Brasil e no exterior e recebeu 24 prêmios, entre eles melhor animação, melhor direção de arte, curta ambiental, desenho de som, trilha sonora, montagem e fotografia.
A abertura da Mostra Animaria, na quinta-feira (29), apresenta a Mostra 1, formada por cinco curtas-metragens de animação produzidos no Nordeste. O público confere Até o Último Zangão (6 min e 2 s), de Pernambuco; Medo de Monstro (9 min e 57 s), também pernambucano, dirigido por Andrew Gledson e Eduardo Padrão; Quintal (15 min), da Bahia, de Mariana Netto; Era uma Noite de São João (11 min), da Paraíba, de Bruna Velden; e Medo de Cachorro (9 min e 21 s), do Rio Grande do Norte, de Ítalo Tapajós. A sessão tem duração total de 50 minutos.
Na sexta-feira (30), a programação segue com a Mostra 2, composta por seis curtas-metragens, totalizando 51 minutos e 23 segundos. O público assiste a Aurora (10 min), de Radhi; Queimatório (4 min e 55 s), de direção coletiva; A Cachoeira dos Pássaros (8 min e 55 s), de Thiago Pombo; Tsuru (6 min e 13 s), de Pedro Anias; Cora e os Corais (12 min), de Levi Luz e Bia Hetzel; e Maréu (10 min), de Nicole Schlegel.
O encerramento, no sábado (31), acontece com a exibição da Mostra 3, reunindo cinco curtas-metragens, com duração total de 52 minutos e 49 segundos. A sessão apresenta Volto pra Te Buscar (14 min), de Roger Bravo; Coelhitos e Gambazitas (10 min e 26 s), de Thomas Larson; Ayo e as Luzes de Maria Felipe (7 min e 23 s), de Jafari Akin; Amalá (14 min), de Gean Almeida; e Coisa de Preto (7 min), de Pâmela Peregrino.
Ao todo, a programação reúne obras produzidas em Pernambuco, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, compondo um panorama diverso da animação contemporânea nordestina. A proposta é ampliar o repertório cultural da população e afirmar o interior de Pernambuco como espaço estratégico para a circulação e a formação audiovisual.
“A Mostra Animaria nasce desse desejo de mostrar que a animação também é linguagem popular, acessível e potente. Levar esses filmes para o interior, de forma gratuita, é afirmar que a Mata Norte faz parte do mapa do cinema contemporâneo brasileiro”, conclui Jefferson Batista.
A realização da Mostra Animaria conta com da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), da Secretaria de Cultura, e do Governo de Pernambuco, por meio da com recursos do Funcultura Audiovisual.






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