Coral Vahakn Minassian 100 Anos: História e Centenário da cultura armênia no Brasil
- Lagoa Nerd
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Grupo criado em São Paulo em 1926 abre calendário de comemorações com concertos, ações de memória e valorização da cultura armênia.

Há exatamente um século, um grupo de imigrantes armênios sobreviventes do genocídio perpetrado pelo Império Otomano encontrou na música a força necessária para reconstruir sua identidade longe da terra natal. Dessa resiliência nasceu, em São Paulo, o Coral Vahakn Minassian, que em 2026 atinge o marco histórico de 100 anos de atividades ininterruptas. Para celebrar o centenário, a SAMA-Clube Armênio, entidade que abriga o Coral inicia uma programação especial de concertos e ações de preservação patrimonial.
Resgatar o Passado, Unir Gerações
Fundado em 1926 como Coral Kussan Armênio de São Paulo, o grupo é considerado a primeira manifestação cultural organizada da diáspora armênia no Brasil. O termo Kussan significa "trovador" em armênio, uma menção direta aos guardiões da tradição musical oral. Desde a sua criação, o coral assumiu a missão de salvaguardar uma herança musical que remonta a pelo menos quatro milênios antes de Cristo.
Incorporado pela Sociedade Artística e Musical Melodias Armênias (SAMA), fundada em 1941, o Kussan passou a ser denominado ´Melodias Armênias´, que frequentemente se apresentava no programa radiofônico semanal produzido pela entidade.
Ao longo das décadas, o grupo consolidou-se como símbolo de resistência cultural. Suas apresentações passaram por igrejas, teatros, clubes e festivais de prestígio, tanto no Brasil quanto no exterior.
Marcos Históricos e Legado
A trajetória do coral confunde-se com a própria história da imigração armênia no país. Sob a liderança do maestro e compositor Vahakn Minassian, seu organizador, o grupo construiu um repertório robusto que transita pela música folclórica, popular e erudita.
Entre seus momentos de maior orgulho está o ano de 1950, quando o grupo protagonizou a primeira montagem mundial fora da Armênia da ópera Anuch — uma das obras mais importantes do cancioneiro armênio. Em 1983, o grupo passou a ser denominado Coral Vahakn Minassian, imortalizando o legado artístico do grande maestro.
Mais do que festejar uma instituição centenária, as comemorações de 2026 jogam luz sobre a contribuição do coral para a diversidade cultural brasileira. O projeto demonstra como a arte foi capaz de guiar e mobilizar uma comunidade de sobreviventes do Genocídio Armênio na preservação de sua identidade através de sucessivas gerações.
Memória Registrada em Livro
O centenário do grupo também será eternizado em livro histórico-fotográfico.
A historiadora Dra. Sonia Maria de Freitas (USP), especialista na imigração armênia no Brasil e pesquisadora aposentada do Museu da Imigração, prepara um novo livro dedicado exclusivamente à trajetória do coral.
O lançamento está confirmado para o dia 8 de novembro de 2026. A obra encerra uma trilogia fundamental da autora sobre a herança armênia em São Paulo, que já conta com os títulos:
Presença Armênia em São Paulo (2019)
Entrelaçando linhas e memórias: bordadeiras armênias em São Paulo (2023)
