Crítica| O Estrangeiro: Um forasteiro do sentir
- Lagoa Nerd

- há 17 horas
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O grande diretor François Ozon entrega em O Estrangeiro uma obra belíssima de um forasteiro do sentir e do expressar a própria existência e vivência do mundo

O filme é baseado no best-seller existencialista de Albert Camus e esteve presente no festival de Cannnes de 2025 e está disponível nos cinemas distribuído pela Califórnia Filmes
Sinopse
O filme acompanha Meursault, um francês que leva uma vida aparentemente banal na Argélia dos anos 1930. Distante das convenções sociais e incapaz de expressar emoções da forma esperada pelos outros, ele vê sua rotina ser interrompida pela morte da mãe e por um encontro trágico em uma praia ensolarada.
O episódio desencadeia um julgamento em que não apenas o crime é analisado, mas também a personalidade e a postura de Meursault diante do mundo.

O estrangeiro segundo François Ozon
O longa é filmado em P & B o que traz uma beleza e vivacidade em tela realçado por bons enquadramentos e uma tela cheia e um protagonista forte e com ótima atuação de Benjamin Voisin como Meursault .
Mersaoult não se encaixa nos padrões da sociedade por apresentar limitações ao expressar ou sentir as emoções seja na morte da mãe, como quando vai a julgamento ou por não ter reações diante de coisas que necessitem de um impulso seja de uma ação ou de reação seja de uma uma lamúria ou preocupação ou raiva ou alegria e sim uma apatidez
No velório da mãe a impressão que passa que ele não conhece nada sobre ela desde os amigos o noivo e o local onde ela viveu seu último ciclo de vida

Mesmo entre o romance com Marie ( Rebecca Marder belíssima) iniciado pouco tempo depois do velório onde ela se mostra extremamente apaixonada já ele também parece demonstrar afeto mas de forma mais discreta mas bem cavalheiro

O que impressiona também é que mesmo na rotina e na beleza que a vida se mostra em um verão bonito com uma praia linda luzes reluzentes e amor em meio ao luto o Olhar vazio e a indiferença de Meursault se nota mais proeminente
Desta forma Ozon capta bem a essência do clássico existencialista de Albert camus
Um forasteiro do sentir porém um excelente ouvinte
Meursault apesar de uma certa frieza e um bom ouvinte seja para o velho vizinho que maltrata o cachorro ao mesmo tempo que ama ele ou ser um bom ouvinte para as histórias de seu outro vizinho Raymond (Pierre Lottin) e seus problemas com os árabes e um relacionamento complicado com a namorada

Este por último que vai ser o estopim para a queda que envolve os conflitos com os árabes posteriormente o julgamento de Meursault
E digamos o único ato de uma ação de expressão de Meursault é o que acaba condicionando a queda do mesmo e indo assim para o julgamento
Acompanhamos também o julgamento e mesmo a urgência na condenação não fazem Meursault ter alguma reação do que poderia ser um ato de defesa de sua própria sobrevivência
A dor sentida de Marie por ver o amado se tornar mais distante e sentir que tudo está desmoronando é de partir o coração e com grande atuação de Rebeca Marder
O Estrangeiro acaba por fim ser um filme belíssimo visualmente e contemplativo de um forasteiro do sentir chamado Meursault

ELENCO
Benjamin Voisin | Meursault
Rebecca Marder | Marie Cardona
Pierre Lottin | Raymond Sintès
Denis Lavant | Salamano
Swann Arlaud | Sacerdote
Mireille Perrier | Mãe
Christophe Malavoy | juiz
Nicolas Vaude | procurador
Jean-Charles Clichet | advogado
Hajar Bouzaouit | Djemila
FICHA TÉCNICA
Título original | L'Étranger
Direção e Produção | François Ozon
Roteiro | François Ozon, com colaboração de Philippe Piazzo, baseado no livro homônimo de Albert Camus
Casting | Anaïs Duran, Hossein Sabir
Fotografia | Manuel Dacosse
Montagem | Clément Selitzki
Direção de Arte | Katia Wyszkop
Figurino | Pascaline Chavanne
Maquiagem | Nathalie Tabareau
Música Original | Fatima Al Qadiri
Som | Emmanuelle Villard, Jean-Paul Hurier, Julien Roig, Benjamin Viau
País | França, Bélgica, Marrocos
Ano | 2025
Gênero | Drama, Crime
Duração | 122 minutos




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