
Crítica | Sobrenatural: Agora Entre Nós
- Jhow Foster

- há 5 horas
- 3 min de leitura
filme estreia nos cinemas dia 20 de agosto distribuido e produzido pela sony Pictures

Há um momento na vida de qualquer franquia de terror em que o horror cede espaço para a contabilidade. Quando Sobrenatural (Insidious) estreou em 2010, sob as mãos ágeis de James Wan e Leigh Whannell, o cinema de horror recebeu uma injeção de adrenalina pura. Era um filme tenso, criativo, que usava o silêncio, a névoa e o piano dissonante para transformar o "Além" (The Further) em um pesadelo tangível.
Avançamos no tempo e chegamos ao sexto capítulo da franquia (Sobrenatural: Agora Entre Nós / Sobrenatural 6). O diagnóstico? Exaustão criativa severa

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A estrutura narrativa ideal de Sobrenatural sempre esteve ligada à família Lambert e à presença magnética de Elise Rainier (Lin Shaye).
A Tragédia da Família Lambert: Os dois primeiros filmes formavam um diptico coeso. A ameaça do "Demonio da Cara de Fogo", a projeção astral e o sacrifício familiar tinham começo, meio e fim.
O Trunfo Chamado Elise: Elise é a verdadeira alma da franquia. Qualquer tentativa de distanciar a narrativa dela ou reduzi-la a participações pontuais/espirituais faz o roteiro ruir.
O Excesso de Spin-offs Mornos: Os capítulos 3 e 4 tentaram sustentar o universo com histórias paralelas que pouco acrescentaram ao folclore original, desgastando o mistério do Além.
O quinto filme veio para encerrar o arco da família Lambert e deveria ter parado ali.
O Sexto Filme: Nem Desastroso, Nem Memorável (Apenas "Fraquinho"):
O novo capítulo tenta vender uma passagem de bastão e uma resolução definitiva para os traumas de Dalton e Josh. No entanto, tropeça em problemas graves de condução:
1. A Protagonista e o Elenco sem Química:

A tentativa de focar na nova geração esbarra na falta de carisma. A protagonista (e os personagens coadjuvantes que a cercam) carece de profundidade. É a típica atuação insossa que serve apenas como joguete de jump scares previsíveis, sem que o público realmente se importe com o seu destino.
2. Cosplay de Parque de Diversões: Os "Mortos" Não Assustam Mais:
O que torna o horror eficaz é o desconhecido e a atmosfera. Neste filme, a caracterização das entidades beira o amadorismo:
Maquiagem e Efeitos: Em vez de figuras aterrorizantes e distorcidas, os espíritos parecem atores fantasiados em uma atração barata de Dia das Bruxas.
Falta de Tensão: O filme confia excessivamente em sustos fáceis (som alto + aparição repentina) em vez de construir um clima de pavor claustrofóbico.
3. A Salvação (Breve) de Lin Shaye:

Como ressaltado, a única coisa que ainda conecta o espectador ao sentimento original da franquia é a presença de Elise. Lin Shaye entrega dignidade a um papel que conhece como ninguém, mas sua participação funciona quase como um curativo em uma ferida aberta — traz conforto para os fãs antigos, mas não salva o corpo do filme.
Conclusão: O Dinheiro Venceu a Arte:

Hollywood tem uma dificuldade crônica em saber a hora de parar. Sobrenatural tornou-se refém do seu próprio sucesso financeiro. Trata-se de um filme que não chega a ser uma aberração cinematográfica, mas comete o pior pecado do gênero: o tédio.
Sem sustos marcantes, sem imagens que grudam na retina após os créditos e com mortos-vivos que parecem saídos de uma excursão de terror de shopping center, este capítulo prova que a franquia já cruzou a Porta Vermelha da irrelevância há muito tempo. A pergunta que fica é: até quando o público continuará pagando o ingresso para ver os mesmos truques gastando a mesma névoa?
Confira o trailer legendado
FICHA TÉCNICA
Direção: Jacob Chase
Roteiro: Jacob Chase
História: David Leslie Johnson-McGoldrick e Jacob Chase
Baseado nos personagens criados por: Leigh Whannell
Produção: Jason Blum, Oren Peli, James Wan e Leigh Whannell, p.g.a.
Produtores Executivos: Steven Schneider, Ryan Turek e Brian Kavanaugh-Jones
Elenco: Amelia Eve, Brandon Perea e Lin Shaye.




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