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Crítica: ‘Ted’ 2 temporada - “Une humor caótico e coração bem colocado para mostrar a força de Seth MacFarlane “

Crítica por André Quental Sanchez


Criado por Seth MacFarlane, Ted retorna com um foco maior, corrigindo os erros da segunda temporada, ampliando seus personagens secundários e unindo com habilidade comédia e coração.


(Crédito: NBCUniversal)
(Crédito: NBCUniversal)

Ao observarmos a trajetória de Seth MacFarlane, não surpreende o caminho que o produtor, ator, dublador e comediante percorreu até aqui. Aos cinco anos, já produzia flipbooks e demonstrava interesse por animação. Após a faculdade, começou a trabalhar na Hanna-Barbera, atuando como roteirista e desenhista em produções como O Laboratório de Dexter (1996, Genndy Tartakovsky), e principalmente Johnny Bravo (1997), de Van Partible. Foi nesse período que desenvolveu o estilo de humor e roteiro que culminaria em Uma Família da Pesada (1999), série que se tornaria um de seus maiores sucessos.


Entre os diversos projetos de MacFarlane, um dos mais inusitados é Ted (2012). O filme subverte a clássica história de Pinóquio e transforma um fofo urso de pelúcia em um amigo politicamente incorreto para uma criança sonhadora, amizade que continua mesmo quando seu dono já se aproxima dos quarenta anos.


Com uma sequência que não conseguiu capturar a alma de seu antecessor, muitos se surpreenderam quando foi anunciada uma série mostrando a juventude de John Bennett e sua convivência com Ted durante os anos de colegial. Ao final, a produção se tornou um sucesso de público e crítica, sendo, inclusive, mais orgânica e potente do que qualquer um dos filmes. Esse desempenho garantiu uma segunda temporada.


(Crédito: NBCUniversal)
(Crédito: NBCUniversal)

A principal evolução entre a primeira e a segunda temporada de Ted está na contenção. Os episódios são mais curtos, as piadas mais rápidas, os objetivos mais claros e as apostas dramáticas mais bem definidas. Em diversos momentos, esquecemos que estamos assistindo a uma produção sobre um urso de pelúcia que ganha vida e mergulhamos em uma sitcom sobre uma família disfuncional, algo que permite uma representação mais orgânica da atmosfera dos anos 1990.


Matty, Blaire e, principalmente, Susan ganham maior profundidade. Passamos a compreender melhor o que cada personagem pensa e sente, sem a necessidade de episódios excessivamente excêntricos, como o da primeira temporada que envolve um caminhão vermelho racista que ganha vida, um dos pontos mais fracos daquele ano inicial.


MacFarlane demonstra compreender que, acima de tudo, é necessário criar empatia pelos personagens. Mesmo sendo uma série marcada pelo humor negro, a produção dedica tempo para explorar suas motivações dramáticas e ocasiões que são tão caóticas quanto dramáticas. Rompimentos, gravidezes não planejadas, prisões, casos extraconjugais, encontros com Bill Clinton e até mesmo uma trama envolvendo o julgamento de O. J. Simpson aparecem ao longo da temporada.

(Crédito: NBCUniversal)
(Crédito: NBCUniversal)

À primeira vista, pode parecer absurdo que todos esses elementos coexistem em uma série centrada em um ursinho de pelúcia, mas essa mistura improvável é uma das maiores forças da temporada como um todo, pois tudo se encaixa.


A escolha de tratar Ted não apenas como um objeto animado, mas como um personagem plenamente humano, alguém que ri, chora, se preocupa e se importa com sua família, abre espaço para alguns dos melhores momentos da temporada. Em certos episódios, o próprio Ted quase não aparece, e ainda assim sua ausência não é diretamente sentida.


Entre as tramas paralelas, destaca-se as de Susan, responsável por alguns dos momentos mais engraçados da temporada. A personagem deixa de ser apenas a mãe positiva e superprotetora para ganhar novas camadas, revelando sua importância dentro da dinâmica familiar.


Enquanto a primeira temporada se concentra em “primeiras vezes”, primeiros encontros, primeiras experiências e até primeiros contatos com drogas, a segunda temporada se mostra mais madura e ousada em sua estrutura. Um exemplo é o episódio inteiramente dedicado a uma partida de Dungeons & Dragons, algo que só funciona porque os personagens já estão bem estabelecidos.


No campo do humor, há naturalmente altos e baixos. Algumas piadas se estendem mais do que deveriam ou se apoiam em referências muito específicas para parte da audiência. Ainda assim, muitas delas funcionam justamente pelo caos que provocam, como a inesperada lembrança da música-tema de Os Ursinhos Gummi (1985, Jymn Magon). Os momentos mais eficazes, no entanto, são aqueles que transcendem o fator temporal e se concentram em situações universais. Basta, por exemplo, colocar um personagem tão fechado quanto Matty, chorando em uma comédia romântica para que sua audiência se enxergue também.


(Crédito: NBCUniversal)
(Crédito: NBCUniversal)

Ágil e facilmente maratonável, Ted prova que até mesmo as ideias mais absurdas podem encontrar terreno fértil quando existe coração por trás delas. A produção nunca pareceu interessada em conquistar grandes prêmios e, mesmo com um orçamento elevado que talvez dificulte a existência de uma terceira temporada, consegue cumprir seu principal objetivo: entreter.


No fim das contas, trata-se de uma série sobre um ursinho de pelúcia que fuma, se envolve em situações moralmente questionáveis e vive rodeado de caos. Ainda assim, é sua humanidade, e a forma como se conecta emocionalmente com aqueles ao seu redor, que transforma Ted em uma experiência surpreendentemente reconfortante para o público.


As duas temporadas de Ted se encontram disponíveis no streaming da Universal +.


Disponível no UNIVERSAL+ pelas plataformasPrime Video, Claro TV+, Vivo Play, Meli+ e UOL Play. 



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