Do Tietê ao Ateliê: Novo livro de Eduardo Srur revela a pintura por trás das intervenções monumentais
- Lagoa Nerd

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"A arte salva", lançamento da BEĨ Editora, reúne intervenções urbanas, pintura e ações educativas em panorama da trajetória do artista

Reconhecido por forçar a cidade a olhar para si mesma, o artista visual Eduardo Srur construiu uma carreira marcada por intervenções urbanas que provocam reflexão sobre consumo, meio ambiente e desigualdade social. Essa trajetória ganha agora um registro abrangente em A arte salva, novo lançamento da BEĨ Editora.
Mais do que uma atualização de Manual de intervenção urbana (2012), obra anterior do artista também publicada pela BEĨ, o livro propõe uma leitura ampliada de sua produção, articulando o impacto público das intervenções realizadas nas ruas com o rigor do trabalho desenvolvido no ateliê. A publicação organiza décadas de criação artística em um percurso que evidencia a coerência conceitual e estética da obra de Srur.
Conhecido por ações como as garrafas PET gigantes instaladas no rio Tietê e labirintos construídos com material reciclável que interferem diretamente na circulação urbana, o artista consolidou uma linguagem que utiliza a cidade como suporte e tema.
Em A arte salva, essas intervenções são apresentadas como parte de uma investigação contínua sobre o descaso ambiental, o consumo excessivo e a vulnerabilidade social.
Um percurso entre rua e ateliê
A narrativa do livro se inicia com uma extensa entrevista-ensaio conduzida pelo curador francês Marc Pottier. O formato combina diálogo e análise crítica, articulando aspectos biográficos de Srur com uma leitura aprofundada de sua obra. Na sequência, a seção
“Ateliê a céu aberto” reúne um amplo registro das intervenções urbanas realizadas no Brasil e no exterior, funcionando como um documento histórico da atuação do artista no espaço público.
Embora essas ações sejam a face mais conhecida de sua produção, A arte salva destaca a pintura como a matriz fundamental do percurso criativo de Srur. Em “Pintura e acervo”,
o livro revisita desde os trabalhos acadêmicos iniciais até séries mais recentes, como Contêineres e Fardos. As obras apresentam enquadramentos fechados, cores saturadas e repetição de motivos, revelando uma investigação visual contínua sobre os resíduos e excessos da sociedade contemporânea.
Educação e alcance social
O compromisso do artista com a formação crítica também ocupa espaço relevante no livro.
Na apresentação do volume, Marisa Moreira Salles e Tomas Alvim destacam que as intervenções de Eduardo Srur incomodam ao expor realidades duras da sociedade contemporânea, mas também oferecem ao público a possibilidade de reflexão e consciência coletiva. Essa ambiguidade, segundo os autores, é uma das marcas centrais de sua produção artística.
Com textos bilíngues, em português e inglês, A arte salva reúne ensaio crítico, entrevista, catálogo de intervenções urbanas, pinturas e ações educativas, consolidando a trajetória de Eduardo Srur e ampliando o diálogo de sua obra com o público nacional e internacional.
SERVIÇO
Lançamento do livro: A arte salva
Autor: Eduardo Srur
Editora: BEĨ Editora
Preço de capa: R$250,00
Informações adicionais: A obra conta com ensaio crítico de Maria Hirszman, entrevista conduzida por Marc Pottier e catálogo completo de intervenções urbanas, pinturas e ações educativas do artista.
Sobre a BEĨ
A BEĨ é uma editora e produtora cultural brasileira com mais de três décadas de atuação dedicada à construção, difusão e preservação do conhecimento. Seu trabalho reúne livros, exposições, projetos educativos e acervos que articulam memória, arte, design e território.
Entre seus principais projetos está a Coleção BEĨ de Bancos Indígenas do Brasil, resultado de mais de vinte anos de pesquisa, diálogo e colaboração com artistas e comunidades indígenas. A instituição desenvolve iniciativas de circulação nacional e internacional,produções editoriais de referência e programas de arte-educação que fortalecem o protagonismo dos povos originários e ampliam o acesso à cultura brasileira.




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