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ENTRE LUTAS, DESPEDIDAS, LUTO E ENCANTAMENTO: SESCTV EXIBE ESPECIAL DE DOCUMENTÁRIOS DEDICADO ÀS MULHERES

Programação de março reúne cinco longas que atravessam continentes, gerações e territórios para refletir sobre autonomia, memória e resistência


A atriz Odília Nunes dá vida à personagem título em “Cordelina”, que estreia em 28/3, às 22h, no SescTV. Foto: Breno César.
A atriz Odília Nunes dá vida à personagem título em “Cordelina”, que estreia em 28/3, às 22h, no SescTV. Foto: Breno César.

Março, mês em que se celebra o Dia Internacional das Mulheres, ganha no SescTV uma programação especial de documentários que observam mulheres em contextos distintos, seja no enfrentamento da violência, na reinvenção da velhice, na reconstrução da memória familiar ou na afirmação poética do território. São filmes que recusam a simplificação e preferem a escuta. Cada história é singular, mas todas dialogam com estruturas históricas que moldam a experiência feminina.


 

Abrindo a programação, no dia 7 de março, às 22h, LUSÓFONAS, dirigido por Carolina Paiva, percorre Brasil, Angola, Moçambique e Portugal para investigar o que a língua portuguesa aproxima e o que as desigualdades persistem em separar. Eleito Melhor Documentário pelo júri do FESTin 2019 – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, o filme articula depoimentos de mulheres ativistas, intelectuais e trabalhadoras que relatam experiências atravessadas pelo patriarcado, pela violência doméstica e pelo racismo.


 

Entre elas estão a deputada europeia Marisa Matias, candidata à Presidência de Portugal em 2015; a filósofa Helena Theodoro; a jornalista angolana Diana Andringa; a estilista e empresária angolana Nadir Tati; além de mulheres como Maria e Maria José, vendedoras de peixe, e Ana Paula, empregada doméstica que se casou aos 16 anos para fugir da violência familiar e enfrentou novas agressões no casamento. O documentário também aborda a Lei Maria da Penha, citada como referência internacional no combate à violência doméstica, e expõe realidades como o casamento forçado entre mulheres ciganas. Ao cruzar relatos de diferentes gerações e classes sociais, o filme constrói um mosaico em que a língua comum não apaga assimetrias históricas, mas pode servir de ponte para o diálogo.


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No dia 8 de março, às 20h, a programação incorpora QUANDO ELAS SE MOVIMENTAM, dirigido por Susanna Lira. Realizado para a TV Senado como parte das celebrações dos 200 anos do Senado Federal, o documentário lança luz sobre a força e a resistência das mulheres negras brasileiras na política e na sociedade. O título ecoa a frase da ativista Angela Davis — “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela” — que sintetiza o espírito da obra.


 

Reconhecida por sua trajetória no documentário biográfico e político, a diretora Susanna Lira constrói aqui um filme que articula memória, representatividade e participação institucional. Ao recuperar trajetórias de mulheres negras que ocuparam e ocupam espaços de decisão, a diretora amplia o debate sobre democracia e reparação histórica, evidenciando como raça e gênero estruturam desigualdades persistentes. O filme se insere na consistente filmografia da realizadora, marcada por obras que abordam direitos humanos, justiça e protagonismo feminino.


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No dia 14, estreia DIZER ADEUS, de Carolina Sá, retrato íntimo de uma despedida. Aos 92 anos, Dona Therezinha decide deixar o apartamento onde vive há décadas, em Copacabana, para recomeçar a vida em Lisboa. A diretora acompanha a avó no processo de desapego: objetos são vendidos, roupas são separadas, memórias são revisitadas. Ao lado dela está Jaciara, funcionária e companheira de 21 anos, mulher baiana que criou quatro filhos sozinha e atribui à fé o encontro que a levou àquele trabalho.


 

O filme observa o vínculo entre as duas mulheres — uma reza, a outra ora — e transforma a mudança em metáfora de fim de ciclo. Dona Therezinha, descrita pela neta como matriarca de memória intacta e postura sempre impecável, atravessa o adeus sem lágrimas públicas. O documentário, que circulou por festivais brasileiros dedicados ao cinema de não ficção, encontra na intimidade doméstica uma reflexão sobre envelhecer, autonomia e escolha.


 

Em 21 de março, o SescTV exibe ELEGIA DE UM CRIME, de Cristiano Burlan, encerramento de sua chamada “Trilogia do Luto”. Após abordar a morte do pai e do irmão, o diretor retorna à cidade de Uberlândia para reconstruir a história de sua mãe, Isabel Burlan da Silva, assassinada em 2011 pelo companheiro. Exibido e premiado em festivais nacionais e internacionais, como o 23º Festival É Tudo Verdade (2018), o filme transforma a investigação pessoal em denúncia estrutural.


 

A partir de conversas com familiares e amigos, fotografias e lembranças, Burlan recompõe a trajetória de uma mulher marcada pela pobreza e pela violência. Descrita como bonita e carismática, Isabel teve sua vida atravessada por relações abusivas que culminaram no feminicídio. Sem recorrer ao sensacionalismo, o documentário encara o luto como gesto político: lembrar é também recusar o apagamento.


 

Encerrando a programação, em 28 de março, CORDELINA, dirigido por Jaime Guimarães, acompanha a atriz Odília Nunes emuma peregrinação pelo interior de Pernambuco e da Paraíba. Misturando documentário e encenação, o filme assume a forma de um road movie em que Cordelina — personagem vivida por Odília — carrega um tesouro dentro de uma caixa e distribui poesia pelas cidades por onde passa.


 

No Sertão do Pajeú, Odília contesta a imagem estereotipada de um sertão apenas árido e triste, que atribui a um olhar colonizador. EmPuxinanã, declama versos sobre retorno e pertencimento. A viagem inclui paradas simbólicas, como a Praça do Meio do Mundo, no Agreste pernambucano, e encontros com moradores que assistem ao teatro como quem reencontra uma parte esquecida de si.


 

Ao reunir esses quatro títulos, o SescTV propõe um percurso que atravessa continentes, classes sociais e gerações. São histórias de mulheres que enfrentam violência, reinventam a velhice, atravessam o luto e reafirmam o território pela arte. Mais do que celebrar uma data, a programação convida à reflexão sobre as estruturas que moldam essas experiências e sobre as possibilidades de transformação que nascem da memória, da palavra e da ação.


 


SERVIÇO


 

PROGRAMAÇÃO ESPECIAL – MÊS DAS MULHERES | SESCTV 


 


Lusófonas 


Dir.: Carolina Paiva | Brasil | 2019 | 70 min | 12 anos


07/03,sábado, às 22h 


 


Quando elas se movimentam 


Dir.: Susanna Lira | Brasil | 2025 | 82 min | Livre


08/03,sexta, às 20h


 

Dizer Adeus 


Dir.: Carolina Sá | Brasil | 2023 | 66 min | Livre


14/03,sábado, às 22h 


 


Elegia de um Crime 


Dir.: Cristiano Burlan | Brasil | 2018 | 92 min | 14 anos


21/03,sábado, às 22h 


 


Cordelina 


Dir.: Jaime Guimarães | Brasil | 2022 | 70 min | Livre


28/03,sábado, às 22h


 

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SOBRE O SESCTV 

O SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua programação é constituída por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com variadas expressões da música e da dança contemporânea. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira em conexão com temas universais. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras linguagens artísticas também estão presentes na programação.

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