Qual o papel do homem no Outubro Rosa?
No mês de prevenção do câncer de mama, é de se estranhar que ninguém estranhe a ausência dos homens. Onde eles estão? Quando olhamos para a gestão da saúde na família, naturalizamos que quem cuida é a mulher. É ela quem lembra, quem agenda, quem busca resultados e dá retornos sobre a própria saúde... e a do companheiro.

Estudos comprovam que, dentro dos casamentos heterossexuais, as mulheres são as que realizam a maior parte do serviço, enquanto apenas uma minoria dos parceiros participa ativamente no acompanhamento. Já nos casamentos homossexuais, estudos apontam que ambas as partes parecem cuidar da saúde de maneira mais igualitária.
Quando os homens não abandonam na doença nasce da experiência de quem escolheu, com coragem, romper o silêncio masculino e encarar os tabus que cercam a doença, o cuidado e a morte. Foram quase vinte anos em que Cláudio Magalhãesacompanhou o tratamento da esposa, a educadora Dânia de Paula, contra o câncer de mama, do diagnóstico até seu falecimento. Foi em uma consulta médica, ao ouvir de um oncologista que era raro ver maridos tão presentes quanto ele, que o autor decidiu investigar por que tantos homens partem justamente quando a doença exige mais cuidado, e o que fez de sua própria trajetória uma exceção.

Claudio Magalhães reserva também espaço para assuntos mais leves, ainda que atravessados pela mesma experiência: a amizade como rede de sustentação em momentos de crise, o papel do humor e da irreverência para lidar com um tema tão pesado, e o relato da relação com o próprio filho.
É esse conjunto de temas que o autor reúne para propor um outro modelo de masculinidade diante da doença: não o do herói que resolve tudo sozinho, mas o de quem aprende, na prática, a ficar. Com prefácio da oncologista e paliativista Marcela Mascarenhas, que acompanhou Dânia nos últimos anos de tratamento, Quando os homens não abandonam na doença se soma a um debate que vem ganhando espaço público nos últimos anos, à medida que relatos de mulheres abandonadas durante o tratamento oncológico deixam de ser exceção silenciosa para se tornar estatística reconhecida por sociedades médicas e pesquisadores.





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