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Crítica I A Hipótese do Amor - Uma nova era para comédias românticas

há 10 horas
3 min de leitura
A Hipótese do Amor
A Hipótese do Amor - Divulgação



Anos 90 e 2000 foram, sem dúvida, o auge desse subgênero, tanto nos cinemas como na TV, que, ao decorrer dos anos, foram perdendo espaço nas produções, salas de cinema e a paciência do público. Com uma verdadeira enxurrada de filmes, um atrás do outro, sem sequer passarem por uma produção adequada ou uma ideia minimamente original para ser desenvolvida, esse tipo de longa foi perdendo seu poder dentro do mercado cinematográfico, principalmente o hollywoodiano.


Após o grande boom de empresas de streaming e com o crescimento em massa desse tipo de produção, finalmente as comédias românticas aparentam estarem vivendo um novo auge, ainda que a maioria das suas produções se concentrem para TV (streaming), que é o caso do longa do qual falaremos. Já que o consumo e o sucesso que eles têm feito, principalmente com um novo público e uma nova geração, têm sido gigantescos, grandes empresas do mercado têm feito de tudo para terem suas produções quanto antes, seja ela original ou adaptação.


E justamente nessa nova onda de adaptações de livros, que fizeram muito sucesso ali no período da pandemia, os chamados "BookTok", que cada empresa tem estado à procura da sua franquia, para chamar de sua e fortalecer cada vez mais o seu catálogo de filmes, seja ela para o cinema ou para TV.

A Hipótese do Amor
A Hipótese do Amor - Divulgação

A Hipótese do Amor foi um verdadeiro fenômeno literário, escrito pela autora Ali Hazelwood, a partir de uma fanfic de dois personagens do universo de Star Wars (da terceira trilogia): Kylo Ren e Rey. O que tem sido bastante comum ultimamente, sim, já tivemos outras fanfics famosas, como 50 Tons de Cinza, mas recentemente esse fenômeno tem chamado ainda mais atenção, principalmente de novos autores.


Nesse longa, assim como no livro, somos transportados para um dos maiores clichês dos romances literários: o namoro de mentirinha. Aqui, entre Olive (Reinhart), uma estudante de doutorado na Universidade de Stanford, e o Dr. Adam Carlsen (Tom Bateman), professor no mesmo instituto. Os dois fazem um pacto que beneficia as duas partes: ela está auxiliando sua melhor amiga, Ahn (Rachel Marsh), para encontrar o amor verdadeiro; enquanto ele precisa provar, de forma urgente para os chefes de departamento, que tem raízes naquela universidade para conseguir os fundos para sua pesquisa. 


Lili Reinhart é facilmente a melhor coisa do filme, consegue captar bem a essência da personagem, equilibrando bem o tom de humor, vulnerabilidade, mesmo quando o roteiro lhe dá diálogos pouco naturais para uma pessoa de tamanho conhecimento, e muitos momentos de vergonha alheia. Mesmo ocasionando boas cenas, dá para notar que foi algo bem estranho, o que não fica legal para a veracidade do tom do filme, que não alterna e nem calibra esse aspecto. E isso fica mais evidente com o nosso protagonista; por mais que ele tenha falta de traquejo social, não é fácil comprar certos comportamentos, além de soar artificial, me tirou do longa por várias vezes, já que eu não conseguia acreditar no que via em tela. Se o filme levasse para o lado mais galhofa e menos tons dramáticos, acredito que seria uma opção melhor para as atuações, mas para um tom mais natural do filme.


A Hipótese do Amor
A Hipótese do Amor - Divulgação

A classificação indicativa mais alta desse filme serviu apenas para uma cena, para preservar o tom sensual do livro, mas que, se fosse melhor trabalhado, seria mais eficiente, já que em tela todo o sentimento e desejo não nos são passados de forma avassaladora. Na minha visão, um erro, pois poderíamos ter não só mais cenas assim, como o cineasta poderia explorar outras nuances que uma classificação maior lhe permite. Ou seja, a cena em questão soa barata e vazia de um ponto de vista narrativo.


A Hipótese do Amor
A Hipótese do Amor - Divulgação

Apesar de todas essas fragilidades, do texto e da direção, acredito que seja um filme que vá agradar a maioria do seu publico alvo, e para o publico em geral que deu Play no filme despretensiosamente, poderá ser surpreendido positivamente, pois todos os elementos clássicos da comedia romântica está lá, como os mesmos temas, mesmas viradas dramáticas, o que não é um problema de fato, mas se fosse mais bem feito, com certeza renderia uma longa ainda adorado, comentado, da forma como foi lançado, e se não estivesse sob o guarda-chuva de adaptação de um livro famoso - seria só mais um filme que original esquecido em poucos dias, como todos os outros que o precedem.


Ficha Técnica

Título original The Love Hypothesis (A Hipótese do Amor)

Comédia, Romance

Direção: Claire Scanlon

Roteiro Sarah Rothschild

Elenco: Lili Reinhart, Tom Bateman, Rachel Marsh, Jaboukie Young-White




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