Crítica | A Morte de Robin Hood - "uma morte digna para um indigno"
- Lagoa Nerd

- há 10 horas
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“ O tempo está perdido para ele em sua escuridão eterna, em sua atemporalidade eterna, mesmo que paire sobre mim tamanho peso” ( Philippa Gregory, A Princesa Branca)*
O Filme está disponível nos cinemas distribuído pela Imagem Filmes e produção da A24

Nem tudo que é contato é verdadeiro, a historia real pode ser mais cruel e menos fantasiosa do que os contos ( quem conta um conto aumenta um conto) mesmo que seja contado inúmeras vezes ou se aumenta ou diminui para ter a magnitude da grandiosidade que o tornem uma lenda ou para esconder as facetas violentas que se aproximam mais das lendas medievais
"Ou você morre herói, ou vive o bastante para ver você mesmo virar vilão"( Batman o cavaleiro das trevas)
No longa de direção e roteiro de Michael Sarnoski o velho Robin ( Hugh Jackman) sabe disso e mesmo assim mesmo forjado pela brutalidade violência e nem sempre com histórias heróicas e marcado por flechas certeiras e mortais e com um tempo implacável e que mas ainda as memórias ressurgem, ele quer ter uma morte digna mesmo se considerando indigno Robin não quer uma morte covarde .
Nesse ponto Hugh Jackman atua muito bem trazendo um personagem carregado na densidade de suas escolhas e a velha sabedoria que o atormenta e o fardo que ele carrega
É um personagem bem diferente do ele está habituado a fazer e que acaba lembrando do personagem mais icônico de Hugh, o Wolverine de X-men mas principalmente o Wolverine em Logan
A morte de Robin Hood trás um outro olhar do personagem que nos cinemas já foi retratado com atores como Douglas Fairbanks (1883-1939), Kevin Costner e Russel Crowe e da forma mais heróica da qual ele se tornou lenda

A figura de um velho Robin Hood pode lembrar vagamente o filme Robin e Marian (1976) com Sean Connery interpretando um Robin envelhecido que, após décadas, reencontrou Marian (Audrey Hepburn, agora prioresa.
Em A morte de Robin Hood o velho Robin mostra que muitas das histórias sobre ele não eram verdadeiras exemplo de quando dizem que Robin rezava 3 vezes ao dia e no que ele rebate que o verdadeiro Robin nunca rezou na vida ou quando até mesmo Little John parceiro de jornada e aliado de Robin de tanto ouvir e contar as histórias acredita que elas se tornam verdadeiras ou que as pessoas achavam que ele era um herói quando na verdade era um bandido
A fotografia que mescla e contrasta entre a neblina, nuvens carregadas a luz e a escuridão são recortados pelas chamas do fogo e de lutas mais viscerais e paisagens verdes amareladas e montanhosas de uma ilha remota que lembra as dos contos das brumas de avalon e dos druidas
O diretor de fotografia do filme Pat Scola agora foi escolhido para ser diretor de fotografia do novo filme dos X-MEN que chega em 2028 podemos ter boas expectativas para o novo longa já que aqui tem uma ótima fotografia

Apesar de não ter tantas lutas por trazer um lado mais intimista da história as que foram mostradas se mostraram bem eficientes viscerais e violentas e com uso de efeitos praticos e sem uso do CGI
A trilha sonora e a edição de som são ótimas trazendo aumentando a densidade que o filme merece
Bill Skarsgård, faz participação como little John/Edward e o faz muito bem tem até uns frames que ele parece um grande guerreiro e se assemelhando até mesmo ao irmão Alexander Skarsgård, em the Northman ( O Homem do Norte) ou ao seu outro irmão Gustav Skarsgård, em Vikings
Noah Jupe ( Um Lugar silencioso, Ford vs Ferrari )também faz ponta como um rapaz chamado Arthur que foi flechado e teve parte da família morta pela última batalha de Robin Hood e Litle John e jura vingança contra a filha de little John quando finge ser um doente que busca cura na ilha onde Robin foi levado após ser mortalmente ferido
A sangria como forma de purificação cura e a magia

E a ilha que cura que traz a personagem Brigid de Jodie Comer prioresa e enfermeira do local
Uma pequena observação que a ilha ( filmada na Irlanda) me lembrou cenas do filme extermínio a evolução da qual a própria atriz Jodie Comer participou e também uma caverna que lembrou a entrada da caverna do gigante em A Odisséia de Christopher Nolan
Brigid é uma personagem que poderia ter sido melhor aproveitada e trabalhada já que em dado momento parece ter ares de sacerdotisa ou outros como dado o nível de vingança que poderia ter exercido sobre Robin Hood
Murray Bartlett ( The White Lotus) interpreta um guardião da ilha e com muitas feridas e cicatrizes pelo corpo um ótimo trabalho do ator mas também da equipe de maquiagem do filme. O personagem acaba tento não somente uma conexão com o presente mas com o passado de Robin

A pequena Margareth (Faith Delaney) é um brilho para o elenco e torna Robin mais humano e uma pequena aprendiz uma das cenas mais bonitas e como ele a ensina a acertar o alvo com a flecha
Tanto a atriz que faz a pequena Margareth como ator que faz Arthur fizeram o filme Hamnet a vida antes de Hamlet
Em relação a direção e roteiro de Michael Sarnoski traz um lado mais intimista e mais realista e uma visão mais brutal e atormentada do personagem mas que em alguns momentos o filme pode se tornar um pouco mais moroso e cadenciado o que pode fazer com que se desgoste dele, mas é um filme muito interessante para ser visto e da qual eu gostei e que deixa com um gostinho de quero mais e que tinha potenticial para ser bem mais
confira o trailer do filme
Ficha técnica:
Direção: Michael Sarnoski
Roteiro: Michael Sarnoski
Produção: Aaron Ryder, Andrew Swett, Alexander Black, Hugh Jackman
Elenco: Hugh Jackman, Jodie Comer, Bill Skarsgård, Murray Bartlett, Noah Jupe
Direção de Fotografia: Pat Scola, ASC
Direção de Arte: David Lee
Montagem: Andrew Mondshein, ACE
Figurino: Lorna Marie Mugan
Trilha Sonora: Jim Ghedi
Casting: Nina Gold e Martin Ware




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