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Crítica| 'A NOIVA!' ( 2026) "Onde o visual deslumbrante encontra um roteiro sem alma"

Crítica por Camila Silva

Filme estrelado por Jessie Buckley e Christian Bale o longa é dirigido por Maggie Gyllenhaal (A Filha Perdida), e estreou essa semana dia 5 de março nos cinemas produzido e distribuído pela Warner Bros


A noiva
'A NOIVA!' (2026)

No longa, o público acompanha a jornada da Noiva (Jessie Buckley), ressuscitada após uma morte trágica. Ao despertar sem memórias, ela inicia uma trajetória de autoconhecimento e rebeldia ao lado do solitário Frankenstein (Christian Bale). Juntos, tornam-se amantes fora da lei na Chicago dos anos 30, lutando para definir suas identidades enquanto fogem do julgamento e da repressão da sociedade. O elenco conta, ainda, com Peter Sarsgaard (A Órfã), Annette Bening (Beleza Americana), Penelope Cruz (Vanilla Sky), e Jake Gyllenhaal (O Segredo de Brokeback Mountain)


​Embora prometa ser um banquete visual e uma fonte inesgotável para cosplayers, A Noiva tropeça ao tentar abraçar o mundo e não se aprofundar em nada. O filme nos apresenta Ida, uma mulher que, após um acidente trágico e uma suposta "posse espiritual" por Mary Shelley, é ressuscitada por Frankenstein para preencher o vazio de sua solidão.


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O Que Funciona


​O ponto alto, sem dúvida, é a performance de Jessie Buckley. Ela entrega uma Ida com personalidade forte e transmite com maestria a angústia de ser alguém trazido de volta à vida contra a própria vontade e que não tem controle sobre si ou acesso as próprias memórias. A premissa da busca obsessiva de Frank (Christian Bale) por amor — mesmo por meios "insalubres" — começa instigante e o visual do filme estabelece uma atmosfera que parece promissora.


​Onde o Filme se Perde


 'A NOIVA!' (2026)
 'A NOIVA!' (2026)

​O grande problema é a dispersão. O roteiro se perde em núcleos irrelevantes quando poderia ter focado na loucura dinâmica do casal principal e na busca de Ida por sua identidade própria.


* ​Christian Bale: Apesar do talento, entrega um Frankenstein com motivações confusas e pouco desenvolvidas.


* ​Subtexto Político: O filme tenta flertar com o empoderamento feminino, mas a execução é rasa. Não conhecemos Ida o suficiente para criar uma conexão emocional real, e a "revolução" inspirada nela soa vazia, já que o filme não nos dá motivos concretos para que ela se torne um ícone.


* ​Misticismo Mal Explicado: A conexão com Mary Shelley, que poderia ser o diferencial da trama, é jogada em tela sem qualquer explicação lógica ou narrativa.



O Casal


Embora Buckley e Bale entreguem atuações competentes de forma isolada, o coração do filme — a relação entre o Criador e sua Criatura — sofre com uma ausência crônica de química. É compreensível que, dada a natureza atípica e forçada do encontro, exista um estranhamento proposital. No entanto, em uma obra que orbita o desejo de Frankenstein por conexão, a falta de 'faísca' entre os dois impede que o espectador se sinta investido.


 'A NOIVA!' (2026)
 'A NOIVA!' (2026)

Veredito


​No fim das contas, A Noiva parece mais um ensaio fotográfico de luxo do que um filme de verdade. A tentativa clara de criar um novo "Coringa e Arlequina" para a cultura pop fica evidente, mas esquece que, para um casal se tornar icônico, é preciso alma, não apenas figurino. É um filme que quer ser um manifesto, mas não consegue sequer explicar sua própria premissa. Uma promessa de "novo clássico" que deve acabar apenas como uma boa referência de cosplay.



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