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Crítica | A Odisseia: O Épico Mitológico de Nolan que Redefine o IMAX

Crítica por Jhow Foster

Filme disponível nos cinemas a partir do dia 16 de julho nos cinemas distribuído pela Universal Pictures


Há anos os fãs especulam como seria um filme de terror sob a ótica matemática e fria do Nolan. Se ele realmente flertou com o gênero aqui, é um marco na carreira dele, tamanha tensão nas cenas, me tremi diversas vezes. Espero que ele não demore em dirigir um terror. ​


Pôster A Odisséia - créditos Divulgação
Pôster A Odisséia - créditos Divulgação

O elenco é uma apoteose. Juntar Matt Damon, Tom Holland, Zendaya, Robert Pattinson, Charlize Theron e Anne Hathaway já seria um evento por si só, aliás,  Anne Hathaway deve receber uma indicação ao Oscar assim como o filme deve levar várias estatuetas. Mas o grande destaque é Samantha Morton , um toque de mestre. Nolan é conhecido por dar papéis pequenos, mas devastadores, a atores gigantescos (como fez com Cillian Murphy no passado ou Florence Pugh recentemente). Se ela rouba a cena em pouco tempo, a atuação é realmente memorável e sua personagem absolutamente amedrontadora.

cene de A Odisséia - créditos Divulgação
cene de A Odisséia - créditos Divulgação

Mia Goth e Lupita Nyong'o também marcam presença, com pouquíssimo tempo de tela mas ambas roubam a cena, principalmente Lupita interpretando as gêmeas Helena e Clytemnestra. Elliot Page, Jon Bernthal, Himesh Patel também são destaque. Um elenco de dar inveja.



A trilha sonora é pulsante nas cenas de ação frenéticas e repletas de tensão, fazia tempo que um filme não me deixava tão tenso, ansioso e animado com cada cena ali das quase 3h que voam.

cene de A Odisséia - créditos Divulgação
cene de A Odisséia - créditos Divulgação

​Fiel ao seu estilo, Nolan não começa pelo começo. O filme abre in media res com a icônica invasão de Troia, mas a narrativa é dividida em três linhas temporais paralelas que correm em velocidades diferentes:



​O Cavalo: A tensão claustrofóbica dos soldados gregos espremidos no monumento de madeira hiper-realista de 15 metros de altura (construído sem CGI).

cene de A Odisséia - créditos Divulgação
cene de A Odisséia - créditos Divulgação

​O Mar: A jornada implacável de Odysseus tentando voltar para casa.

A Espera: Penélope lidando com os pretendentes invasores em Ítaca. 



​A transição entre essas linhas cria uma urgência absurda. A cena do Cavalo de Troia não é apenas épica; é um thriller de sobrevivência. O som da madeira estalando sob o peso dos soldados e a respiração ofegante de Ulisses criam uma atmosfera de suspense sufocante. 


​Esqueça os momentos de calmaria clássicos dos épicos de espada e sandália. Quando a batalha de Troia termina, o filme engata uma marcha de fuga ininterrupta que lembra a energia caótica de Mad Max: Estrada da Fúria.


cene de A Odisséia - créditos Divulgação
cene de A Odisséia - créditos Divulgação

​A sequência na Ilha de Éolo (o deus dos ventos) é um espetáculo visual de pura ação prática. Em vez de computação gráfica, Nolan utilizou turbinas de vento gigantescas e turbulência real em tanques de água massivos para simular a fúria dos mares. Os navios gregos são arremessados como brinquedos em uma coreografia de destruição física que deixa o espectador sem ar.



​Em vez do tom de fantasia lúdica de O Senhor dos Anéis, Nolan traduz os elementos mitológicos de Homero através de uma lente realista e psicológica perturbadora:



​O Ciclope (Polifemo): Não é um monstro digital de um olho só, mas sim um guerreiro colossal deformado, interpretado por um ator de mais de dois metros com próteses práticas assustadoras. A escala de altura é usada para gerar um terror espacial claustrofóbico dentro da caverna.

cene de A Odisséia - créditos Divulgação
cene de A Odisséia - créditos Divulgação

​As Sereias: Nolan transforma o canto das sereias em uma arma de ondas sonoras de baixa frequência (perfeitas para destruir os alto-falantes do IMAX). Os marinheiros não são apenas seduzidos; eles entram em um estado de psicose induzida por ressonância acústica, batendo suas cabeças contra o convés.



​A Feiticeira Circe: Interpretada com uma frieza cirúrgica, suas "transformações" de homens em porcos são retratadas como alucinações causadas por venenos botânicos locais, em uma sequência delirante digna de A Origem. 



​O casamento entre a estrutura matemática de Nolan e a fúria mitológica de Homero resulta em uma obra de arte que redefine o cinema de ação histórica. É um colosso técnico, uma jornada física exaustiva e um triunfo dos efeitos práticos sobre o digital. Uma obra-prima insana e genial.


cene de A Odisséia - créditos Divulgação
cene de A Odisséia - créditos Divulgação

Como o ultra-secreto novo filme do Nolan tem sua estreia oficial agendada mundialmente para daqui a pouquíssimos dias (em 16 de julho de 2026),  me sinto muito sortudo de ter tido acesso a cabine de imprensa antecipada em IMAX.



Facilmente o melhor filme de Nolan e o melhor do ano que precisa ser visto em IMAX.



​Se essa profecia do Oscar se cumprir — com direito a uma estatueta de Direção para o Nolan e reconhecimento para a Anne Hathaway —, 2026 já tem o seu dono absoluto nos cinemas. Nos vemos na fila do IMAX!

©2023 por Lagoa Nerd. 

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