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CRITICA | ALPHA

Crítica por Camila S

chega aos cinemas no dia 4 de junho distribuído pela Mubi e pela O2 Play

O Equilíbrio entre a Provocação e a Emoção em Alpha

CARTAZ DE ALPHA
CARTAZ DE ALPHA (Divulgação_ Mubi e O2 Play)

​A filmografia de Julia Ducournau sempre foi um terreno de extremos, e com Alpha não é diferente. Conhecida por dividir opiniões nos festivais, a diretora que chocou com Raw e Titane retorna com uma obra que a consolida como uma grife das alegorias visuais. Se por um lado a crítica internacional aponta o longa como uma produção que às vezes oscila entre a ambição e a execução falha, por outro, o filme se destaca por ser o trabalho mais acessível e emocionalmente direto da cineasta até aqui.


​No centro da trama está Alpha, uma jovem de 13 anos de personalidade forte cuja vida vira de cabeça para baixo ao voltar de uma festa com uma tatuagem no braço. A partir daí, o filme mergulha em um cenário de isolamento e paranoia: há um vírus à solta, e a dinâmica com sua mãe — consumida pela preocupação — e com seu tio se torna o ponto central da história. A grande sacada da diretora aqui é a peculiaridade desse vírus, que transforma as pessoas em mármore, um conceito incrível visualmente e rico em camadas, sobre rigidez, controle e a própria degradação dos corpos.

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Cena do filme ALPHA (Divulgação_ Mubi e O2 Play)

​Sinto que o grande destaque da produção está na entrega do seu trio principal. O trabalho corporal e as atuações são fascinantes, com destaque para Tahar Rahim no papel do tio. O ator constrói um personagem complexo, lidando com o peso do vício e servindo como uma força que prende a atenção do espectador na tela.

Embora algumas vezes o visual atropele o roteiro, Alpha consegue uma façanha: quebrar a barreira da bizarrice e tocar o público direto no emocional — algo que os filmes anteriores da diretora têm um pouco mais de dificuldade. Julia Ducournau mantém seus momentos chocantes e reflexivos, mas usa a metáfora do vírus para falar de discriminação, laços familiares e vulnerabilidade de um jeito profundamente humano. É o tipo de produção feita para gerar debate e que dificilmente vai agradar a todo mundo.


O elenco é integrado por Mélissa Boros (Les Rêveurs), Golshifteh Farahani (Extraction), Tahar Rahim(Monsieur Aznavour), Finnegan Oldfield (Bang Gang: Uma História de Amor Moderna), Frédéric Bayer Azem(Planet X), Emma Mackey (Sex Education) e Louai El Amrousy (Comme des Reines). O longa é uma coprodução entre França e Bélgica.


Confira o trailer de ALPHA


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