Critica | Quinze Dias "Uma comédia romântica apaixonante"
- Lagoa Nerd
- há 3 horas
- 4 min de leitura
critica por Fabricio Belvederesi
"Daquelas produções que se assiste com um sorriso no rosto, apenas aguardando pela próxima gargalhada ou pelo próximo momento fofo."
filme estreia nos cinemas a partir do dia 18 de junho distriuido pela Manequin Filmes

Aqueles que acompanham os romances jovens na literatura com certeza sabem o
fenômeno que os livros do Vitor Martins se tornaram nos últimos anos. Todos eles
publicados pela editora Globo (pelo selo Alt), seria questão de tempo até que algum ganhasse uma adaptação para os cinemas. Felizmente, isso aconteceu com o primeiro livro do autor, e Quinze Dias chegou às telonas.
A HISTÓRIA
Imagine ter quinze anos e ser um adolescente gay, gordo e tímido. As férias escolares são o momento ideal para fugir das provocações na escola e se refugiar no próprio quarto,
assistindo séries de TV e comendo besteira sem ser julgado.
Pelo menos esse é o plano de Felipe. O que ele não imaginava é que essas férias seriam arruinadas quando sua mãe anuncia que o filho da vizinha do andar de cima vai passar quinze dias com eles.
Caio é bonito, descolado e sempre foi a paixão de Felipe desde que eles eram crianças, mas a amizade que eles mantinham na piscina do condomínio foi se desmanchando aos poucos. Agora que eles vão ser obrigados a conviver o tempo todo por quinze dias, uma nova conexão surge entre os garotos, resultando em uma jornada de autodescoberta e amor.
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LIVRO X FILME

Quando falamos de adaptações cinematográficas, é sempre necessário entender que modificações são necessárias para tornar a história mais dinâmica e palatável para o audiovisual, e com Quinze Dias não foi diferente.
Algumas mudanças foram bastante bruscas e vão causar estranhamento nos fãs: os personagens adquiriram uma personalidade completamente diferente da que foi mostrada no texto de Vitor Martins.
Felipe está muito mais irônico e piadista do que é no livro, um reflexo de sua insegurança que acaba convertida nessa armadura de sarcasmo. Esse “aumento” na personalidade do protagonista funcionou muito bem, e a interpretação que Miguel Lalo lhe deu o tornou a melhor parte do filme. A todo momento, a sala de cinema ria com os comentários maldosos e as piadas bem elaboradas que ele soltava. Já Caio (Diego Lira) foi o que sofreu a alteração mais drástica de todas: enquanto no livro o interesse amoroso de Felipe é um garoto reservado, quieto e até mesmo um pouco assustado com toda a situação, no filme ele foi transformado em um garoto mais falante e desbocado, que devolve o sarcasmo de Felipe na mesma moeda.
Para além disso, o roteiro decidiu que iria caminhar pelo clichê de que Caio é possivelmente hétero pelos olhos do protagonista. Talvez a ideia fosse criar um Heartstopper abrasileirado e, para isso, seriam necessários elementos parecidos com os da obra britânica.Essas alterações em relação ao Caio talvez não tenham sido tão interessantes de se ver, porque realmente fogem da essência do que era o personagem nos livros e tornam um pouco difícil se apegar a ele.
Toda essa descaracterização acabou criando um enemies to lovers no início do filme que simplesmente não existe nas páginas: enquanto o Caio tímido dos livros fugia assustado de Felipe, o Caio do filme bate de frente com o protagonista, criando uma interação divertida e engraçada, mas que foge bastante da proposta inicial idealizada por Vitor Martins.
Essa fuga da estrutura do livro acontece em dois momentos do longa-metragem: no início, com a alteração da personalidade de Caio e os primeiros passos do romance surgindo, e também no final, com diversas situações que definitivamente não aconteceram nas páginas de Quinze Dias, sendo criadas exclusivamente para o cinema.
OPINIÃO

Mesmo com uma adaptação infiel ao conteúdo literário, é preciso analisar o filme como uma obra isolada e, vendo por essa ótica, ele definitivamente funciona.
É um filme leve, divertido e muito engraçado! Daquele tipo que se assiste com um sorriso no rosto, apenas aguardando pela próxima gargalhada ou pelo próximo momento fofo que com certeza vai deixar uma impressão deliciosa em quem estiver assistindo.
Os atores estão ótimos e é preciso elogiar também a escolha de Débora Falabella para integrar o elenco como a mãe de Felipe, que teve sua participação estendida no filme e resultou em uma personagem que equilibra muito bem a trama e de quem todo mundo vai gostar.
A trilha sonora está moderna e combina exatamente com o tom da história do filme e, para além disso, toda a direção de Daniel Lieff está linda de se ver, com um cenário colorido e, ao mesmo tempo, familiar, trazendo muito daquele ar de produção global, com o tradicional estilo profissional das gravações cariocas.
Quinze Dias acaba se consagrando como uma comédia romântica fofa para toda a família e que com certeza chega em um momento imprescindível para o cinema brasileiro, que sempre esteve tão carente de filmes do gênero, mas que agora ganha um representante à altura e que, tomara, sirva de inspiração para novos filmes do tipo.
Ficha Técnica
Produção: Conspiração
Distribuição: Manequim Filmes
Patrocínio Master: Nubank
Dirigido por Daniel Lieff
Roteiro de Ray Tavares e Vitor Brandt
Produzido por Renata Brandão, Juliana Capelini
Produtora Executiva: Tania Pacheco
Coprodutores Executivos: Clarisse Goulart, Adriana Basbaum, Marcos Penido,
Gerência Executiva: Ana Leticia Leite, Patrícia Tudesco, Monica Zennaro, Raquel Leiko, Maria Paula Carvalho, Paula Lima
Direção de Fotografia: Daniel Primo
Direção de Arte: Nathalia Siqueira
Supervisor de Direção de Arte: Claudio Amaral Peixoto
Figurino: Ana Avelar
Caracterização: Mariah de Freitas
Supervisão de Efeitos Visuais: Claudio Peralta
Produtora Delegada: Lili Nogueira
Produtores de Elenco: Diogo Ferreira
Montagem: Eduardo Hartung
Colorista: Sergio Pasqualino
Som Direto: Pedro Sá Earp
Desenho de Som e Mixagem: Armando Torres Jr. e Caio Guerin
Trilha Sonora Original: Érico Theobaldo e Remi Chatain
Elenco: Miguel Lallo, Diego Lira, Débora Falabella, Mika Soeiro, Bel Moreira, Mariana Santos, Olivia Araujo, Márcio Vito, João Pedro Chaseliov participação especial Fernando Caruso, Silvio Guindane e Augusto Madeira.
