Crítica| No Limite da Justiça (By All Means), 2026
crítica por Alexandre Salazar
o flme está disponível nos cinemas distribuido pela Diamond Films

Ambientado no Mississippi, em 1966, durante a transição e a luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, o filme acompanha o assassinato de um líder do movimento pelos direitos civis, em um estado onde negros precisam pagar para exercer seu direito de voto, cometido por membros da Ku Klux Klan.
O FBI precisa trabalhar com a máfia italiana, pois a própria estrutura policial local está contaminada pelo racismo e pelas relações com os supremacistas não tem forças para lutar ou investigar o Klan, então o agente especial Wayne Strider (Yahya Abdul-Mateen II) recebe a missão de investigar o caso junto com o parceiro Greg Scarpa (Mark Wahlberg).

O roteiro de Sascha Penn pega uma situação histórica e transforma numa estrutura narrativa clássica onde dois parceiros policiais com trejeitos e morais dicotômicas, seguem em busca de solucionar o caso, além de contar e expor um recorte de um estado racista até mesmo com o FBI, autoridade máxima policial.
Greg Scarpa é interpretado por Wahlberg, que passa por uma transformação visual considerável para dar vida a um italiano violento. O personagem poderia facilmente ser uma figura absurda, retirada de um filme de gângster e colocada dentro de um drama histórico sobre os direitos civis, com direito à regata branca wife beater e a um sotaque acentuado.

Seguindo a dinâmica de bom e mau policial, Scarpa é contemplado com muitos diálogos expositivos onde insiste em dizer que não segue regras, coisa que não seria preciso ser dita quando ele tortura e por pouco não mata aqueles que interroga.
No fim, “No Limite da Justiça” parece menos interessado em investigar as contradições daquele momento histórico do que em transformá-las em combustível para um filme policial.

A parceria entre o agente do FBI e o mafioso oferece bons momentos de tensão e violência, mas também simplifica um contexto que, por si só, já seria suficientemente dramático. É como se o filme precisasse transformar a história em gênero para encontrar uma forma de contá-la e, ao fazer isso, acaba revelando mais interesse pelo mafioso de regata branca do que pelas pessoas e acontecimentos que deram origem à história.
Dirigido por Elegance Bratton (“The Inspection”), NO LIMITE DA JUSTIÇA ainda conta com Nicole Beharie (“Love, Brooklyn”), Josh Lucas (“Ford vs Ferrari”), David Strathairn (“Nomadland”), Lisa Gay Hamilton (“Jackie Brown”), LaChanze (“Caminhos Cruzados”) e Ethan Embry (“Pânico 7”) no elenco.





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