Crítica| Setembro 5
Setembro 5 é um filme dirigido por Tim Fehlbaum e estrelado por nomes como Peter Sarsgaard e John Magaro, retrata o massacre nas Olimpíadas de Munique em 1972, que culminou na morte de 17 pessoas: 11 integrantes da equipe israelense, 1 policial alemão e 5 terroristas do grupo Setembro Negro.
Antes de iniciar de fato a crítica, é preciso destacar que é um filme que prende o telespectador à sua história. O longa-metragem se passa inteiramente na emissora ABC Sports e mostra o atentado pela ótica da equipe responsável pela transmissão.

O filme carrega consigo uma ideia política, pois as Olimpíadas de Munique representavam, para o mundo, a chance de a Alemanha mostrar uma nova imagem depois da Segunda Guerra Mundial. Com medo de o mundo relembrar os horrores do nazismo, o comitê organizador relaxou a segurança, o receio era que a Alemanha voltasse a ser vista como ameaça. Essa decisão, no entanto, foi o que tornou possível a invasão da Vila Olímpica pelo grupo terrorista
Acompanhamos durante o longa Geoff Mason (John Magaro), recém-contratado pela emissora e jogado numa situação quase inacreditável: coordenar a transmissão de uma emissora esportiva durante um ataque terrorista, função que o editor-chefe Roone Arledge (Peter Sarsgaard) tenta manter sob seu controle, já que os olhos do mundo inteiro estavam voltados para a emissora, a única com imagens do local.
Durante todo o filme, a sensação de inquietude é constante, as atuações são sólidas, a tensão se mantém em cada cena, a trilha sonora se encaixa perfeitamente e chama atenção o fato de haver apenas uma tradutora de alemão em toda a emissora americana. Além disso, os debates éticos levantados nos fazem refletir, como na cena em que os personagens discutem se devem mostrar a varanda do quarto onde a equipe israelense está sendo mantida refém, de onde seria possível ver caso algum dos sequestrados fosse morto.

O grande ponto de destaque para mim é a ambientação do filme: mesmo sendo feito praticamente todo dentro de uma sala, em todos os momentos conseguimos sentir e perceber o que está acontecendo em cada lugar. A emissora ABC esteve sob os olhos do mundo, inclusive da polícia alemã, que em um dos momentos tentou posicionar um atirador de elite no prédio ao lado, mas teve que recuar porque a energia do quarto não havia sido cortada e os terroristas poderiam ver sua aproximação.
Vale destacar também o debate trazido pelo filme sobre a nomenclatura, que oscila entre "guerrilheiros" e "terroristas".
Em certo momento, a ABC chegou a noticiar que todos os israelenses sequestrados haviam sido libertados. A equipe comemorou não só a notícia, mas o fato de a cobertura ter sido um sucesso, minutos antes de descobrirem que haviam dado uma informação falsa e que, na verdade, todos os reféns haviam morrido.
Essa desinformação leva a mais um momento cheio de significado no filme: ao final do dia, abatido por tudo o que aconteceu, Geoff é chamado à sala do editor-chefe, que apenas lhe diz que, na manhã seguinte, entrarão no ar ao vivo direto da Vila Olímpica.

Setembro 5 é um filme que atrai e prende quem o assiste. Vale a pena ser visto, principalmente por estudantes e jornalistas já formados, que podem sentir a tensão caótica de eventos que exigem cobertura jornalística imediata. O filme justifica suas indicações e premiações e não decepciona.





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