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Crítica: Tigre de Papel (Paper Tiger)

há 4 horas
3 min de leitura

Filme de abertura da 50 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Tigre de Papel (Paper Tiger)
Tigre de Papel (Paper Tiger)

James Gray sempre foi um cineasta obcecado pelas fraturas do sonho americano, pelas dinâmicas familiares sufocantes e pela tragédia inerente aos homens impelidos pela ambição ou pela culpa. Em seu mais recente trabalho, Tigre de Papel, o diretor retorna a essas obsessões clássicas para entregar um drama criminal tenso, visceral e esteticamente deslumbrante, ambientado no Queens de 1986. Com estreia marcada para abrir a festiva edição de 50 anos da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo — onde Gray receberá o Prêmio Leon Cakoff —, o longa consolida o realizador como um dos maiores artesãos do cinema contemporâneo.


​A trama apoia-se no clássico conflito de opostos através de dois irmãos judeus. Irwin Pearl (Miles Teller) é a própria definição do trabalhador honesto: um engenheiro dedicado a sustentar a esposa, Hester (Scarlett Johansson), e seus filhos pequenos, interpretados com grande naturalidade por Gavin Goudey e Roman Engel. A calmaria suburbana dos Pearl, no entanto, desmorona com a reaparecida de Gary (Adam Driver), o irmão mais velho, um ex-policial marcado por um histórico de apostas e ligações perigosas.

Tigre de Papel (Paper Tiger)
Tigre de Papel (Paper Tiger)

Gary traz consigo a ilusão de enriquecimento rápido, oferecendo a Irwin uma suposta consultoria ambiental de 10 mil dólares por noite para limpar um canal poluído. Naturalmente, a oportunidade dourada é apenas um disfarce para um esquema da máfia russa liderada pelo implacável Simeon Bogoyavich.


​O que se segue é uma descida vertiginosa à paranoia. À medida que a máfia invade a rotina doméstica da família, Gray transforma o drama familiar em um thriller claustrofóbico. A tensão é potencializada por escolhas formais rigorosas: o cineasta rodou o filme inteiramente em película de 35mm, utilizando os estoques Kodak 500T e 50D. Longe de ser um capricho nostálgico, essa decisão confere ao filme a chamada "magia da prata". O estoque 50D banha a vida doméstica com uma nitidez suave, enquanto o 500T assume o controle nas cenas noturnas e no cenário tóxico do canal, fazendo o grão da película estourar e criando sombras densas que sufocam os personagens.

Tigre de Papel (Paper Tiger)
Tigre de Papel (Paper Tiger)

É uma reconstituição histórica sem artifícios digitais, que ecoa a cruza dos grandes thrillers urbanos dos anos 1980.

​As atuações do elenco principal elevam a premissa à excelência. Scarlett Johansson entrega uma força silenciosa e angustiante como Hester, enquanto Miles Teller e Adam Driver compõem um painel doloroso de irmandade corrompida pela ambição e pelo desespero.


​Contudo, a obra não está isenta de controvérsias narrativas. O clímax se dissolve em um desfecho abrupto, optando por parar onde muitos esperariam uma resolução definitiva. Essa ausência de um fechamento tradicional pode deixar o público dividido, flertando com uma certa sensação de frustração. Ainda assim, trata-se de um detalhe estrutural que sublinha a incerteza da própria vida e do desmoronamento moral que o filme retrata.

Tigre de Papel (Paper Tiger)
Tigre de Papel (Paper Tiger)
Tigre de Papel (Paper Tiger)
Tigre de Papel (Paper Tiger)

​Tigre de Papel é um testamento à relevância do cinema analógico e à capacidade contundente de James Gray de dissecar as dores humanas. Uma obra de peso que promete marcar a abertura histórica da Mostra de São Paulo e ecoar com força no circuito cinematográfico.


O longa é produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features, vai ser distribuído nos cinemas pela Diamond Films e chega ao circuito comercial em janeiro de 2027


confira o trailer


programação na Mostra SP

O filme "Tigre de Papel" será exibido junto com o curta "Sul de Teerã". de Kleber Mendonça Filho

horários de exibição

14/10

19:00

SALA SÃO PAULO

15/10

19:00

SOLAR SALA PETROBRAS

16/10

18:45

ESPAÇO PETROBRAS DE CINEMA SALA 1

27/10

21:00

CULTURA ARTÍSTICA



ficha técnica

DIREÇÃO

James Gray

ROTEIRO

James Gray

FOTOGRAFIA

Joaquín Baca-Asay

MONTAGEM

Scott Morris

SOM

Robert Hein, Dane Lonsdale

MÚSICA

Christopher Spelman

DIREÇÃO DE ELENCO

Douglas Aibel

DESIGN DE PRODUÇÃO

Happy Massee

ELENCO

Adam Driver, Scarlett Johansson, Miles Teller, Gavin Goudey, Roman Engel, Cindy Katz, Yavor Vesselinov, Victor Ptak

PRODUÇÃO

Rodrigo Teixeira, James Gray, Anthony Katagas, Raffaella Leone, Andrea Leone, Marco Perego, Gary Farkas, Leonardo Maria Del Vecchio, Carlo Salem, Andrea Bucko

PRODUZIDO POR

RT Features, Keep Your Head, Leone Film Group, Lotus, Vixens, Jury Rigged Pictures, Vice Pictures

DISTRIBUIÇÃO

Diamond Films

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