Crítica| Virtuosas
Crítica por Alexandre Salazar

Dirigido e roteirizado por Cíntia Domit Bittar, com Bruna Linzmeyer, Maria Galant, Juliana Lourenção, Sarah Motta, Brisa Marques. Premiado no programa Goes to Cannes 2025 e na Mostra SP
O filme estreou nos cinemas no dia 24 de setembro produzido pela Novelo Filmes e distribuído pela Olhar Filmes e Filmes do Estação
Neste assustador terror social, um grupo de três mulheres é selecionado a partir de um sorteio para embarcar numa “jornada virtuosa” onde aprendem práticas associadas ao conceito de “tradwife” ou “esposa tradicional”.

Acordam cedo para fazer marmitas, dobrar guardanapos, e fazem exercícios dignos do que seria uma versão feminina de Pablo Marçal e dos legendários
No grupo selecionado, temos uma jornalista, Germina (Maria Galant), a esposa de um deputado e mãe de um recém nascido, Lorena (Juliana Lourenção) e uma fiel seguidora de Virgínia, Bárbara (Sarah Motta).
Destaque para Bruna Linzmeyer fazendo sua primeira vilã no cinema, a Virgínia Heinzel, líder do movimento das Virtuosas, em um ótimo trabalho de atuação.
A atriz não só adota maneirismos delicados, como arrumar o cabelo passando o dedo por trás da orelha, como também utiliza uma voz dócil e calculada. Juliana Lourenção também se destaca com seus olhos expressivos e sua voz terna.

Um dos momentos mais interessantes da direção de Cíntia acontece quando uma das personagens é filmada através de um copo, tendo seu rosto e corpo distorcidos pela lente.
O recurso visual parece reforçar a sensação de aprisionamento da personagem, como se ela estivesse presa não apenas àquele espaço, mas também às próprias diretrizes impostas pelo movimento conservador. Há de ressaltar também o belo trabalho do figurino e maquiagem, com cabelos de “Barbie” que vão se desarmando no decorrer da narrativa e direção de arte ao adotar cores de tom
bege / salmão no longa, que simbolizam uma imagem de feminilidade tradicional voltada ao conservadorismo.

Embora o filme seja bem redondo em aspectos de suspense e crítica social, acho que havia espaço para um pouco de terror clássico, como uma tensão mais acentuada e talvez até algum jumpscare, que daria para usar em algumas lacunas.
O filme transforma a estética da feminilidade tradicional em algo artificial, controlado e ameaçador além de acender um cirúrgico debate do Brasil atual onde levanta temas como negacionismo, ultranacionalismo, o machismo reproduzido pelas próprias mulheres, na voz de personagens que embora pareçam de ficção, são confundidos e inspirados em pessoas
que já acostumamos de ver por aí.

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SINOPSE
Um retiro VIP promete aperfeiçoar mulheres em busca de sua melhor versão, sob as regras de uma fé que não admite falhas. Mas essa jornada virtuosa acaba se revelando absurda e perigosa.
Ficha Técnica:
“Virtuosas” (Dir. Cíntia Domit Bittar / Ficção / 86’ / Brasil / 2025)
Roteiro: Cíntia Domit Bittar e Fernanda de Capua
Elenco: Bruna Linzmeyer, Juliana Lourenção, Maria Galant, Sarah Motta, Brisa Marques
Empresa Produtora: Novelo Filmes
Produção: Ana Paula Mendes, Cíntia Domit Bittar
Coprodução: Olhar Filmes
Produção Associada: Cajamanga
Direção de Fotografia: Gabriel Rinaldi
Montagem: Cíntia Domit Bittar
Direção de Arte: Dicezar Leandro
Figurino: César Martins
Som: Daniel Becker (Som direto), Tiago Bello (Desenho de Som e Mixagem)
Música: Pedro Santiago, Daniel Becker
Distribuição: Olhar Filmes e Filmes do Estação





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