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CRÍTICA| ENZO "A Crise de Identidade de uma Geração entre o Privilégio e o Trabalho Braçal"

póster Enzo - créditos divulgação
póster Enzo - créditos divulgação

A geração Enzo é retratada na forma de um jovem que dá nome ao titulo do filme e que se sente desconectado da realidade para a qual ele vive, vindo de uma família rica e podendo ter um futuro promissor mas da qual ele se desloca indo vivenciar e trabalhar como aprendiz de pedreiro de obras ( trabalho braçal) mas será que com uma boa premissa o filme consegue alcançar a objetividade em relação aos conflitos propostos?

Filme de abertura da Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes chega dia 19 de março nos cinemas pela Mares Filmes


Um pouco do histórico do boom da geração Enzo no Brasil e na França


Tanto no Brasil quanto na França houve um boom de nascimentos de Enzos e só separada por uma década em m Se no Brasil o auge foi na década de 2010, na França o nome Enzo explodiu na década de 2000.


O Auge: O nome chegou ao 1º lugar dos mais registrados na França em 2005, com quase 9.000 nascimentos naquele ano. Já no Brasil a geração ENZO: entre 1990 e 2000, havia cerca de 44 mil Enzos apesar da distancia entre os países o estigma e os memes são similares


O sucesso do nome Enzo na França e no Brasil tem uma raiz comum: o filme "Imensidão Azul" (Le Grand Bleu, 1988), de Luc Besson, cujo protagonista se chama Enzo. O filme foi um marco na França e influenciou uma geração de pais que, anos depois, exportaram essa tendência para outros países latinos, incluindo o Brasil. No Brasil também teve um auge devido aos atores Claudia Raia e Edson Celulari casados na época que colocaram o nome do primogênito de Enzo(1997) Naquela época, o nome era extremamente raro no Brasil, soando sofisticado, europeu e "diferenciado".



Na França: O estigma é mais voltado ao sociopolítico. Onde existe até uma expressão chamada "La France des Enzos", usada por sociólogos e políticos para descrever uma parcela da população jovem que se sente desconectada das elites tradicionais de Paris. no caso para descrever os jovens que não vivem nos centros cosmopolitas e gentrificados de Paris, Lyon ou Bordeaux. Dessa forma associando o nome Enzo frequentemente às classes trabalhadoras e à pequena burguesia provincial e nesse segundo contexto sendo mais ligado ao personagem Enzo que vive com a familia no que parece ser uma pequena região provinciana da França


Enzo de Robin Campillo


 Enzo - créditos divulgação
Enzo - créditos divulgação

Aqui no filme francês do diretor marroquino Robin Campillo (120 Batimentos Por Minuto) e com roteiro dele e do Laurent Cantet conhecemos o jovem Enzo (Eloy Pohu) com seus 16 anos o que aparenta estar em sua fase jovem e rebelde vindo de uma família rica burguesa ele decide mudar o rumo e começa a fazer trabalho braçal como aprendiz de pedreiro tentando encontrar a própria identidade e propósito e no meio disso ele acaba fazendo amizade com dois ucranianos que também estão trabalhando na obra


A parte situada nas obras parece dar ánimo a ele trazendo um pouco mais sentido e ainda realçada pela amizade que ele faz no trabalho


O Sentimento de Abandono A "Geração Enzo" é o epicentro do que muitos chamam de crise de representatividade e nesse filme ele acaba sendo retratado por Enzo não se sentir representado no meio que vive mesmo tendo privilégios porém o sentimento de Abandono acaba sendo um pouco contraditório já que ele tem uma família presente e principalmente um pai super presente ( papel do incrível Pierfracesco Favino)


 Enzo - créditos divulgação
Enzo - créditos divulgação

O longa parece querer que entendamos as coisas subentendidas porém falha em sua proposta em retratar um menino perdido mas que não sabe se vai ser rebelde ou problemático e que inicia uma amizade com dois ucranianos sendo que um deles Vlad (Maksym Slivinskyi) ficando mais próximo a ele ( parecendo mais uma figura de irmão mais velho que ele gostaria de se espelhar) e que da qual Vlad também tem seus conflitos em relação a se alistar na guerra ou não mas de certa maneira tratando com um tom de superficialidade


Em dado momento do longa ele vai para um caminho um quanto questonável ate mesmo sendo confuso para os personagens indo de encontro com o que podemos ver em "me chame pelo seu nome" mas somente por essa confusão de sentimentos que Enzo passa com a crise de identidade ou o sentimento de abandono da qual ele acha que ele convive

o filme também acaba indo para as preocupações e proteção dos pais quanto as atitudes do filho e ao meu ver a atuação em destaque vem do grande Pierfrancesco como Paolo pai de Enzo e apesar do filme ter apenas 1 hora e 47 minutos ele tem a percepção de ser bem mais longo do que ele é chegando a ser maçante e sonolento em alguns momento e não sendo claro e mais objetivo de forma mais fluída


 Enzo - créditos divulgação
Enzo - créditos divulgação

Falando um pouco dos bastidores do filme . Filme é uma homenagem ao saudoso Laurent Cantet


Ele era o "projeto dos sonhos" de Laurent Cantet (diretor de entre os muros da Escola), que faleceu em 2024. Ele era conhecido por um cinema profundamente humanista, social e político, focado nas tensões das instituições modernas (escolas, fábricas, escritórios). Robin Campillo, que era seu grande amigo e colaborador de longa data(Campillo foi o montador de quase todos os filmes de Cantet, incluindo o vencedor da Palma de Ouro, Entre os Muros da Escola) assumiu a direção para finalizar a obra como uma homenagem. .


De forma geral o filme tinha uma boa premissa com pano de fundo da geração Enzo ainda mais pelo histórico dos roteiristas e diretor em retratar os conflitos geracionais e de classes em seus longas anteriores mas que falta força e estrutura para desenvolver a trama de forma mais adequada e tornando ele maçante e por vezes confusos em seus conflitos


ENZO

França | 2025 | 102 min. | Drama | 16 anos


Título Original: Enzo

Direção: Robin Campillo

Roteiro: Robin Campillo, Laurent Cantet, Gilles Marchand

Elenco: Eloy Pohu, Pierfrancesco Favino, Élodie Bouchez

Distribuição: Mares Filmes


Se o impacto emocional de Enzo te fez refletir sobre as conexões humanas e os desafios da atualidade, você precisa conhecer "A Geração Ansiosa", de Jonathan Haidt. O livro é uma investigação profunda e necessária sobre como a transição para uma infância baseada em telas está afetando a saúde mental de jovens e adultos.

É uma leitura essencial para quem deseja entender as raízes da ansiedade moderna e como retomar o controle em um mundo hiperconectado.

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