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ENTREVISTA| ISIS VALVERDE, HUGO PRATA E DUDA DE ALMEIDA DO FILME "ANGELA"

Atualizado: 29 de set. de 2023


O filme Angela drama biográfico baseado na historia de Ângela Diniz e do caso de feminicido que marcou os anos 70 tem no elenco Isis Valverde, Gabriel Braga Nunes Bianca Bin, Alice de Carvalho e grande elenco e estreia essa semana dia 7 de setembro nos cinemas

Isis Valverde é Angela Diniz no filme Angela
Isis Valverde é Angela Diniz no filme Angela

Com roteiro de Duda de Almeida e direção de Hugo Prata, o longa é focado nos últimos meses de vida da socialite Ângela Diniz, conhecida como “A Pantera de Minas”, e nas consequências de sua conturbada relação amorosa com o empresário Raul Street (Gabriel Braga Nunes). No elenco, estão ainda Bianca Bin, Emílio Orciollo Netto, Chris Couto, Gustavo Machado, Carolina Manica e Alice Carvalho. A produção é da Bravura Cinematográfica, com coprodução da Star Productions. A distribuição é da Downtown Filmes.

Sinopse

Após uma tumultuada separação e ter que ceder a guarda dos seus três filhos, a famosa socialite Ângela Diniz conhece Raul, e acredita ter encontrado alguém que ama seu espírito livre tanto quanto ela. A atração avassaladora fez o casal largar tudo e viver o sonho de reconstruir suas vidas regadas à paixão na casa de praia. Mas a vida tranquila rapidamente se transforma quando Raul começa a se mostrar um homem agressivo, violento e controlador. A relação declina para o abuso e a violência, dando origem a um dos casos de assassinato mais famosos de todos os tempos no Brasil.


Tratando de um dos casos mais emblemáticos de feminicídio que a época foi chamado de "crime de legitima defesa da honra" que somente agora quase 50 anos após o crime tornou-se ilegítimo usar esse tipo de argumento e que sim deve ser tratado como feminicídio.

Angela é uma história que precisa ser mais conhecida e falada para que assim crimes tão bárbaros conscientizem mais as pessoas e a sociedade e para que se diminuam as violências contra as mulheres


Participamos da Junket do filme e pudemos bater um papo com a Isis Valverde que faz a Angela , o diretor Hugo Prata e a roteirista Duda de Almeida abordando um pouco do filme,e também sobre as produções nacionais

Confira

Isis Valverde é Angela Diniz no filme Angela
Isis Valverde é Angela Diniz no filme Angela

Referente sobre o caso da Ângela Diniz dizem que existem 3 verdades, a verdade da opinião pública, a verdade do assassino e a verdade da própria vítima. Quando vocês fizeram o filme e participaram dele qual a percepção e a verdade que vocês gostariam de passar sobre a Ângela? Quem era a Ângela?

Isis Valverde que faz a Angela Diniz

Eu respeitei muito o que a Duda escreveu e o que o Hugo Prata me dirigiu e comunguei muito porque eu acho que foi um lugar muito difícil. A gente tá fazendo arte uma ficção não é uma cópia da Ângela, não tô ali personificando ela com os trejeitos, com a forma dela, mas sim com com a humanidade dela, Enfim, com agressão que essa mulher passou. Então, assim, se ela era mimada ou não era, se ela vestiu sido mais nu ou não vestia, se ela era uma excelente mãe ou às vezes ela faltava os filhos em algum momento, nada justifica a morte dela. Sim, então eu acho que é uma luz a essa injustiça que a gente sofre todos os dias, em outros corpos, em outras mulheres. Sim. Então, eu acho que eu me apeguei muito nisso, não de como a Ângela falava ou de como a Ângela dançava. Sim, eu acho que é esse lugar que eu me peguei

Duda de Almeida roteirista

É uma pessoa real, que existiu, então não tem como a gente não fazer uma pesquisa sobre a pessoa real até pra eh entender certos fatos e entender como que esses fatos nos ajudam a construir dramaticamente a personagem. Mas tem uma coisa que filme traz é um micro cosmo de uma relação de duas pessoas que estavam dentro do espaço fechado. Que assim, quem pode dizer o que que aconteceu ali realmente. Quem pode revelar aquilo senão os dois que estavam ali naquele momento. Então eu também o filme ele fala de situações que realmente a gente não tinha tanto pra quem perguntar, porque ninguém sabe do cotidiano de um casal aquele casal desfila sorrindo mas que no seu no seu íntimo eh tá a relação é horrível ou a mulher tá sofrendo violência ou o homem também tá sofrendo algum tipo de violência psicológica, então a gente nunca sabe exatamente o que que acontece no íntimo de um casal e o filme fala muito disso, Então apesar da gente partir de coisas reais a gente também teve que ficcionalizar esse cotidiano a partir de coisas que não tinha como a gente saber, ninguém tinha como saber.


A Angela ela estava sempre em exposição como socialite, como modelo, ela inclusive teve até muitos nomes como a pantera de Minas, Salomé, Helena de Tróia, também como mãe, quebradora de regras e uma pessoa de espírito livre. dentre tantas essas coisas. Apesar disso ela parecia também uma pessoa incógnita meio misteriosa. Bom, na captação do filme, de mostrar o que ela tinha de melhor, e trazer a dignidade de uma personagem tão emblemática como escolher entre tantas coisas que ela viveu nos seus poucos trinta e dois anos e mostrar somente os últimos 4 meses e não contar um pouco mais dela ?


Isis Valverde é Angela Diniz no filme Angela
Isis Valverde é Angela Diniz no filme Angela

Hugo Prata

É um cobertor curto, pode escrever uma matéria de seis páginas e cada coisa que entra sai a outra a gente persegue aí dentro da página, tecnicamente nós sabíamos que não ia caber tudo, para nós interessava muito as angústias dela, o lado glamoroso foi imensamente discutido, pelo contrário ela foi cobrada por isso, usaram uma justificar a morte dela então Ângela exuberante, a Pantera de Minas, todo mundo conhecia bem. E a nós interessou sempre o contrário de não importa o que ela fez antes importa o que aconteceu ali nesse relacionamento que foi fatal e a gente foi tentar também dar voz a esse termo (feminicídio) que agora existe a ela no sentido de quais angústias ela trazia Ninguém falava disso quando a gente pesquisa numa pessoa que tá cansada da superexposição midiática, todos nós sabemos que todos eles passam por isso, por ser a frente do seu tempo era cobrada disso. Pesa, por mais que você lute. Tem muito que você fecha a porta do banheiro quando ela está linda na pista. Eu adoro ela. É construído assim, ela a rua pra gente apresentar ela. E aí logo ela fala, ó, vou fecha e se vê que ela tá ali preocupada alguém que teve que ceder a guarda dos filhos pra conseguir o desquite | divorcio se não conseguir seu você não tinha nem cidadania, Pra uma mulher e tal naquela sociedade então quando pessoa pra ela essa decisão ao preço que ela pagou pela liberdade altíssimo medidor esse preço, mas não vou ficar escrava de um casamento que já terminou. Então, a gente tentou dar uma dimensão disso, durante a pesquisa, a Isis trouxe um depoimento importante de alguém que conheceu a Angela, que falou que ela tinha o sorriso mais triste que eu já vi. O amigo dela falou pra gente muitas coisas a gente abraçava, então a gente trouxe as fragilidades, o que tava difícil pra ela. Em contraponto do que foi dito incansavelmente no julgamento dela, que era julgar o livramento dela, o espírito dela, a beleza dela. Então para nós isso era um quase uma caixinha fechada que Duda (roteirista) e eu fomos lá e abrimos.


Duda de Almeida

E tem uma coisa também do início do projeto, que a gente estava muito interessado nessas narrativas teatrais, desses filmes, que eles eram contados em um único espaço. Então, a gente na época falou muito sobre a voz suprema do Blues, então os dois estavam encantados com esse tipo de narrativa que é uma coisa que permite você verticalizar no personagem. Porque você não está dando conta de muitos acontecimentos externos em ação in loco pra poder mostrar. Isso exige que os personagens se verticalizem pra baixo e a gente acreditou que isso casava muito bem com o filme que a gente queria fazer. Então isso foi uma escolha também de recorte da gente poder verticalizar nos personagens ao invés de montar ficar mostrando cenas já são dela fazendo isso, dela indo para um lado, dela indo pro outro, não, é pra dentro, Tudo é pra dentro muito mais profundo

Isis Valverde

Aceitando contar essa histórica porque eu achei muito bom. Então a gente conversou muito sobre a história, quando eu li esse roteiro e o que eu gostei muito do roteiro é que mesmo não tendo esses recortes que você levantou, eles conseguiram colocar ali na história durante esse pequeno recorte. Quando esse homem entra a vida dela um pouco antes, a relação dela com os filhos, a relação dela com a mãe, as inseguranças dela, o julgamento da sociedade para com ela. Então assim, se você prestar atenção exatamente nos textos, na parte desses momentos que você vê a Ângela ali permeando, foi na praia, conversando com amigo no telefone, você vê a vida dela, não precisa necessariamente voltar para Belo Horizonte, ela correndo com os pés descalços nos cinco anos ou com dezessete anos casando com um cara na igreja, você já foi teletransportado pra lá. Agora que ela fala quantos anos ela foi casada com aquele cara. Ela fala da relação dele e da frustração dela de ser casada tanto tempo com um cara que não a conhece que a trata como uma bandida, como uma louca, como uma mulher que não pode cuidar dos próprios filhos. Então isso está aí, só que está de uma forma dentro de um curto período de tempo, então acho que tá tudo ali assim, eu fiquei muito feliz quando eu li o roteiro porque eu consegui achar todos esses espaços de contar a história dela, quem ela era de alguma forma e a forma como isso tudo terminou,


Hugo eu queria saber de você já é a segunda vez que você dirige um filme sobre uma mulher com espírito livre uma mulher além do seu tempo ,como é pra você dirigir e contar, recontar uma história de mulheres tão fortes, mas que dividiam tantas opiniões, mas que elas estavam sendo elas mesmas?

Hugo Prata diretor


Hugo Prata - diretor de Angela
Hugo Prata - diretor de Angela

É uma escolha inconsciente como você percebe. antes de mais nada por por qualidade de dramatúrgica, né? Então histórias de sempre tem o arco do personagem, o personagem tem que ser sofrer, tem que ser injustiçado, então são elementos que na dramaturgia já são interessantes pra gente. Tinha também a vontade de dar voz. Então histórias que a gente vê aí, que todo mundo conhece e que tinha uma brecha pra gente poder acrescentar e tenho dito sempre curioso que quando fui fazer o filme da Elis( sobre a cantora Elis Regina) a história estava disponível, ninguém tinha feito. e agora de novo, uma história que todo mundo conhece, parece super obvio, mas ninguém foi lá e ligou pra filha dela e falou, quero fazer um filho sobre a sua mãe com esse viés. Então eram histórias que a gente sintonizou de que estavam quicando e que mereciam uma nova abordagem para que o filme seja útil, e não só o entretenimento. Então, esses elementos que fizeram a gente escolher a Ângela como segundo filme e que merecia, tava ali pedindo, uma versão nova, diferente do que vem sendo contada, que é fundamentalmente baseada na versão do advogado e do assassino


Duda você como roteirista você escreveu "Sintonia" que é uma das séries top dez da Netflix, e agora você fez a história de "José e o Durval" (sobre Chitãozinho e Xororó), você como roteirista quando você vê uma história que ela já existe e precisa ser contada, o que você enxerga assim dentro daquela história que você fala nossa eu acho que isso precisa ser contado ou isso não foi contado da maneira correta tem que ser melhor contado?

Duda de Almeida

Duda de Almeida roteirista do filme Angela
Duda de Almeida roteirista do filme Angela

Então independentemente do projeto eu escrevo obras que eu quero que sejam assistidas por pessoas e eu quero que as pessoas possam se emocionar e eu quero que elas possam comunicar com o seu público sabe? E eu acho que isso acontece quando as pessoas se reconhecem na tela. Então pra mim é muito importante escrever personagens que sejam dignos, que sejam humanos, que tenham falhas e que consigam dar a mão pro espectador no sentido do espectador se enxergar e se ver naquilo e isso é algo que eu levo pra qualquer trabalho que eu for fazer. A gente está falando de seres humanos no final das contas tanto os que estão na tela quanto os que estão vendo Então não tem separação É tudo mesma coisa mesmo coração, mesmo vício


Isis você chegou a receber alguns adjetivos que usaram na Ângela nas suas personagens como sereia, como personagem que você aparece na igreja, também, entre outros. Quando chegou o convite do Hugo de interpretar uma personagem que além de tudo é mineira, como foi a sua busca de transformar na Angela, tirar a Ísis Valverde, pra se transformar em uma personagem tão forte assim,? Que mesmo que ela seja uma personalidade uma personagem ficcional, Mas que você está trazendo o seu lado pra ser a Ângela?

Isis Valverde

Acho que assim eu sempre falo isso assim que na verdade não acredito numa separação total. Porque os sentimentos como Duda (roteirista) disse todos sempre são humanos, tanto personagem fictício que é um ser humano, então é um reflexo humano. É uma pessoa e realmente fazer uma pessoa não é fácil porque envolve vários sentimentos, então nós todos temos um lugar em comum de sermos seres humanos, então a gente se encontra sempre num lugar, numa caixinha e eu acho que é isso. Primeiro eu dou a vida a esse personagem. Então a vida dele está totalmente intrínseca a minha. Então existe uma ligação muito forte ali. Entre desejos, falhas, faltas, as humanidades. que está presente em todos nós que não existe um personagem sem uma pessoa real. Então sempre trago essa pessoa, essa humanidade pros meus personagens assim. Isso é primordial pra mim.


Parabéns por vocês estarem na competição do Festival de Gramado eu mudei bastante a minha percepção das produções nacionais por causa do festival de Gramado e da forma hibrida que ele teve devido a pandemia(2020), mostrando que o Brasil tem muitas e ótimas produções. Em relação a todas as produções que se mostram cada vez melhores e mais robustas, nessa perspectiva que tiveram tantas coisas acontecendo com um desgoverno e agora para uma volta do cinema nacional com uma luz no fim do túnel como é pra vocês essa perspectiva e o olhar das produções nacionais nos cinemas?

Hugo Prata

acho que a gente realmente reencontrou o caminho, acho que o cinema tem um papel muito importante, o audiovisual pra as pessoas, pra cultura de um país, pra você se ver, discutir as coisas. Os americanos fazem isso muito bem. Passar sua história a limpo e ler todas as emoções e tudo mais. E eu acho que o cinema é mágico nesse momento e realmente passamos momentos de trevas e agora vem uma pujança assim e já tinha começado, A vaga no Carlota Joaquina e foi interrompido agora mas graças a Deus voltou com toda a sua saúde e é inevitável que impacte na qualidade, vem melhorando realmente a sua segunda disciplina É isso mesmo praticando mais e trocando mais. Gramado é uma delícia porque é um intercâmbio assim.eu vi o filme do Fábio Meira meu amigo, fiquei super emocionado, achei super legal, quero voltar, vou voltar pra lá, ver o filme do Silvinho Guindane ( Mussum o films), que eu sou um super fã, enfim. Então, esse intercâmbio é sempre vai ser incrível

Isis Valverde

essa celebração de um festival de cinema no Brasil, assim, em qualquer lugar que eu acho que a gente celebra a arte de alguma forma é um alimento, pois um país sem arte, é um país sem história, sem alma, sem passado, sem profundidade e eu acho que ninguém consegue sobreviver a isso. Então quem disser isso está errado então você tem um lugar você celebra isso onde você tem união de pessoas que querem a mesma coisa que caminham pro mesmo desejo que é esse que é alimentar um país inteiro, eu acho que é tão importante e a gente está tão em falta ainda sabe? Falta tanto, acho tão bonito aquilo, ainda tá vivo, parece magia, juro, você chega e aí realmente é festejar esse movimento, sabe? Eu fico tão feliz, eu me sinto muito abraçada assim quando eu tô num lugar como esse, que falta muito assim pra gente conseguir alcançar mais. Tem que ter mais, sabe? Tem que ter. bem mais


E pra finalizar eu queria saber se vocês poderiam indicar um filme, uma série e um livro?

Isis Valverde

Ah o livro da Viola Davis - Em busca de mim que eu amo, que eu acho que tá impecável, série DOM, filme Angela

Hugo Prata

a Duda fez o história de José e Durval ( Chitãozinho e Xororó) comigo então indico ele como série. filme Angela

Duda de Almeida

livro que eu tenho falado muito comigo nesse momento, eu acho que tem tudo a ver, é a queda do caminho, do Albert Caminho e uma série eu vou falar José e Durval, Lógico. Vamos vender o nosso peixe. que também é repleto de valores, é repleto de Brasil, é repleto de. inclusão, e um filme "Ângela" É Brasil gente, você fala assim, vamos pensar no Brasil. Fala português. É porque a gente tem que falar bem da gente, né? Porque senão quem que vai falar um monte de gente querendo falar mal da gente vamos falar bem da gente.

Ficha Técnica Direção: Hugo Prata

Roteiro: Duda de Almeida

Elenco: Isis Valverde, Gabriel Braga Nunes, Alice Carvalho, Emilio Orciollo Netto, Bianca Bin, Carolina Manica, Gustavo Machado e Chris Couto

Produção: Fabio Zavala e Hugo Prata

Produção Executiva: Daniel Caldeira e Fabio Zavala

Diretor de Fotografia: Paulo Vainer, ABC

Diretor de Arte: Cassio Amarante, ABC

Figurino: Verônica Julian

Maquiagem: Damián Brissio

Montagem: Tiago Feliciano, AMC

Trilha Sonora Original: Otavio de Moraes

Som Direto: Valéria Ferro

Edição de Som e Mixagem: Eric Ribeiro Christani, A3pS

Produtora: Bravura Cinematográfica

Coprodutora: Star Productions

Distribuidora: Downtown Filmes

Gênero: Drama, biografia

Duração: 104 minutos

Ano: 2023

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