SECIME 2026 destaca o curta brasileiro “Presépio”, de Felipe Bibian, na competição internacional
- Lagoa Nerd

- 13 de abr.
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A 39ª Semana de Cine de Medina del Campo (SECIME) será realizada entre os dias 17 e 25 de abril de 2026, na cidade de Medina del Campo (Valladolid, Espanha), tendo como principal sede o Auditório Municipal Emiliano Allende.

Considerado um dos festivais de referência do curta-metragem na Espanha, o evento organiza sua programação em diferentes mostras, entre elas o 29º Certame Internacional de Curtas-Metragens, que reúne um panorama representativo do audiovisual contemporâneo.
Nesta edição, o Brasil ganha destaque com a presença de Presépio (El pesebre), de Felipe Bibian, selecionado para a competição oficial. O curta se insere em um contexto internacional diverso e reafirma a presença do cinema brasileiro no circuito global de festivais.
A programação mantém sua estrutura habitual, combinando competição, atividades profissionais e homenagens. Entre os reconhecimentos, destacam-se o Roel de Honor concedido a Javier Cámara e os prêmios Siglo XXI, dedicados a intérpretes e cineastas. O festival também reiterou sua posição em defesa da autoria cinematográfica frente ao uso de inteligência artificial generativa nas obras em competição.
Uma seleção internacional de amplo alcance
O certame internacional reúne 14 curtas-metragens provenientes da Europa, Ásia, América Latina e Oceania. Predomina a ficção, acompanhada por duas produções de animação.
Em termos de origem, observa-se maior presença da França, seguida pelo Irã, evidenciando dois polos ativos do curta contemporâneo: a produção europeia ligada a escolas e novos autores e o cinema iraniano, reconhecido por sua densidade ética e abordagem social.
“Presépio”: memória, família e ditadura

Entre os títulos selecionados, Presépio, do brasileiro Felipe Bibian, destaca-se por sua abordagem da memória política no âmbito familiar. Ambientado em uma reunião de Natal, o curta revela tensões ligadas ao passado de uma família marcado pela ditadura, articulando questões íntimas com a história recente do país.
A obra dialoga com uma tradição do cinema latino-americano que investiga os impactos do autoritarismo na vida cotidiana, oferecendo uma leitura sensível e crítica sobre herança, silêncio e conflitos geracionais.
Circulação internacional e consolidação autoral
Outros títulos da seleção também apresentam trajetória relevante em festivais internacionais.
Una torreta en llamas, do mexicano Humberto Flores Jáuregui, aborda um episódio de violência a partir do encontro entre uma camponesa e um soldado ferido, enquanto sua neta tenta descobrir sua identidade, em uma narrativa intimista.
Sheep, do iraniano Hadi Babaeifar, exibido na Berlinale, acompanha uma menina que tenta salvar ovelhas destinadas ao sacrifício durante uma festividade religiosa, explorando o conflito entre inocência e tradição.
No contexto europeu, Le Dérapage, de Aurélien Laplace, propõe uma sátira política centrada em um deputado em campanha envolvido em um escândalo midiático.
Animação e novas narrativas
A animação também marca presença com Tourists, de Mária Kralovič, coprodução entre Eslováquia, República Tcheca e França, que acompanha a crise de um casal durante uma excursão na natureza, com foco em dinâmicas emocionais adultas.
Já Les fleurs de Malva, desenvolvido no ambiente da escola francesa Rubika, insere-se na tradição da animação autoral europeia vinculada a centros de formação.
Temas contemporâneos
A seleção aborda diversas questões atuais. Buah (Fruit), da diretora de Singapura Jen Nee Lim, se passa em um contexto onde o aborto é ilegal, acompanhando uma mulher que busca interromper a gravidez.
Em outra perspectiva, A Thing About Kashem, de Bijon Imtiaz (Bangladesh/Austrália), explora uma crise de identidade masculina ligada ao desejo e à sexualidade, combinando desconforto e humor.
Diversidade de formatos e olhares
O programa se completa com propostas que ampliam o espectro formal e temático:
Drachenfangen, de Anna Niebert (Alemanha), sobre adolescência e responsabilidades familiares
Impure, de Xavier Mesme (França), um thriller psicológico com elementos de trauma e fanatismo religioso
Tulips, de Rhys Prichard (Reino Unido), sobre doença e intimidade familiar
Orosi, de Mohammad Hormozi (Irã), sobre restrições e criação artística
Gharghalan, de Hamid Kermani (Irã), centrado em uma situação de urgência no meio rural
In a Room, Sitting Still, de Adrián Nassar (Coreia do Sul), com abordagem psicológica e fragmentada
A seleção internacional da SECIME 2026 reúne um conjunto diverso de obras que refletem tendências do curta contemporâneo: narrativas íntimas atravessadas por conflitos sociais, presença da infância como ponto de vista, experimentação na animação e consolidação de novas vozes em diferentes contextos geográficos.
O festival reafirma, assim, seu papel como espaço de referência para o curta-metragem e como ponto de encontro entre cinematografias diversas.

Seleção oficial internacional
Presépio, de Felipe Bibian (Brasil)
Gharghalan, de Hamid Kermani (Irã)
Drachenfangen, de Anna Niebert (Alemanha)
Les fleurs de Malva, de Anna Lys, Rémy Berlemont, Alice Hamel, Chen-Yun Hu, Ludivine Lebourg, Estelle Martin e Agathe Ribout (França)
A Thing About Kashem, de Bijon Imtiaz (Bangladesh / Austrália)
Tulips, de Rhys Prichard (Reino Unido)
Impure, de Xavier Mesme (França)
Una torreta en llamas, de Humberto Flores Jáuregui (México)
Sheep, de Hadi Babaeifar (Irã)
Tourists, de Mária Kralovič (Eslováquia / República Tcheca / França)
Buah (Fruit), de Jen Nee Lim (Singapura)
Orosi, de Mohammad Hormozi (Irã)
In a Room, Sitting Still, de Adrián Nassar (Coreia do Sul)
Le Dérapage, de Aurélien Laplace (França)




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