Crítica | A Terra Do Meu Pai (Fatherland), 2026
Vencedor do prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes 2026, longa estrelado por Sandra Hüller e Hanns Zischler estreia nos cinemas brasileiros em 29 de outubro distribuído pela Mubi e Imovision, o filme passou pela 50 Mostra internacional de Cinema de São Paulo

Dirigido por Paweł Pawlikowski, roteirizado por Paweł Pawlikowski e Henk Handloegten com Sandra Hüller, Hanns Zischler, August Diehl, Devid Striesow, Anna Madeley, David Menkin, Joachim Meyerhoff, Enno Trebs, Theo Trebs, Waldemar Kobus, Daniel Wagner, Fritzi Haberlandt, Milan Peschel, Joanna Kulig, Christophe Falconnet, David L. Price.
Situado em 1949 numa Alemanha devastada pós guerra em estado de reconstrução, o escritor Thomas Mann (Hanns Zischler) e sua filha Erika Mann (Sandra Hüller) voltam dos Estados Unidos e embarcam em um trajeto de Frankfurt para Weimar. Pawlikowski retoma a linguagem visual de seus dois longas anteriores, os excelentes Ida (2013) e Cold War (2018). O preto e branco e o formato quase quadrado reforçam uma assinatura reconhecível, construída em parceria com o diretor de fotografia Łukasz Żal.
O cuidado com a composição de cada plano está entre as maiores qualidades do filme. Iniciando a projeção com um triste e desiludido (talvez depressivo?) Klaus Mann (August Diehl, de Bastardos Inglórios) em conversa telefônica com a irmã, o filme foca no relacionamento pai e filha, enquanto Thomas recebe homenagens nas celebrações do bicentenário de Goethe e reencontra velhos conhecidos, sua relação com Erika expõe dificuldades que o prestígio do escritor não resolve.

A condição de Mann como opositor do nazismo torna esses reencontros especialmente incômodos. Com diálogos que encontram espaço para o humor, Pawlikowski nos faz rir e refletir sobre um país que reorganiza suas instituições enquanto enfrenta as marcas dopassado. As questões políticas atravessam a intimidade dos personagens e dão peso à relação entre pai e filha.
A música participa desse percurso e ganha papel fundamental num belo e poético desfecho. Sua combinação com as imagens concentra a emoção da viagem em uma sequência que permanece na memória depois da projeção. É incrível.
Além de sua estreia mundial na Competição Oficial de Cannes, a produção integrou a programação dos festivais de Telluride, Nova York e Londres (BFI) e foi escolhida pela Polônia para representar o país na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
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