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Crítica | O Bosque Selvagem (Wildwood), 2026-"O Bosque Selvagem e a evolução do stop motion"

há 4 horas
4 min de leitura

Dirigido por: Travis Knight, roteirizado por Chris Butlerm Colin Meloye e Carson Ellis com Peyton Elizabeth Lee, Jacob Tremblay, Carey Mulligan, Tantoo Cardinal, Marc Evan Jackson, Richard E. Grant, Jake Johnson, Arthur Knight, Maya Erskine, Charlie Day, Tom Waits, Len Cariou, Angela Bassett, Awkwafina, Jemaine Clement, Amandla Stenberg, Mahershala Ali, Ólafur Darri Ólafsson

O Bosque Selvagem
O Bosque Selvagem

O contraste inicial de Prue (Peyton Elizabeth Lee) e Curtis (Jacob Tremblay) onde a protagonista, uma garota aventureira e destemida toma café enquanto seu amigo opta por chocolate quente numa cafeteria ajuda a enxergar a discrepância de personalidade e evolução em que a aventura que os dois enfrentarão.


A aventura começa em Portland, no estado de Oregon, quando o irmão bebê de Prue é sequestrado por um bando de corvos. Determinada a resgatá-lo, a garota parte ao lado de Curtis para a Floresta Impassável.

O Bosque Selvagem
O Bosque Selvagem

A animação primorosa do estúdio Laika (mesmo de Coraline) impressiona. Ainda mais por se tratar de stop motion, e numa floresta com pequenos e minuciosos detalhes, como a entidade “Hera” (uma força vegetal potente e adormecida) e a animação detalhista de pequenas folhas num estado de simbiose. É como se fosse a evolução do stop motion (técnica de animação onde é fotografado de 12 a 24 quadros por segundo, para dar movimento), combinado com a pós produção com computação gráfica, entrega efeitos incríveis, uma evolução abissal.

O Bosque Selvagem
O Bosque Selvagem

Passando pelas diversas entidades que habitam na Floresta Impassável, Prue adentra no ecossistema formado por figuras sombrias e facções que conflitam ainda mais com a chegada da dupla Prue e Curtis.

bastidores de O Bosque Selvagem
bastidores de O Bosque Selvagem

A combinação entre o cuidado visual do estúdio Laika e os perigos da Floresta Impassável dá força à aventura de Bosque Selvagem. A riqueza dos cenários torna esse universo fascinante, enquanto seus habitantes colocam à prova a determinação de Prue e a coragem de Curtis. O contraste entre o café e o chocolate quente, apresentado no início, ajuda a perceber como cada um enfrenta essa jornada à sua maneira. Entre criaturas, conflitos e descobertas, a busca pelo irmão de Prue se transforma também em uma experiência de

amadurecimento para os dois

bastidores de O Bosque Selvagem
bastidores de O Bosque Selvagem

curiosidades do filme

Os números dão a dimensão do projeto: foram 231 semanas de produção, 2.804 planos na versão final e 132 cenários práticos, que dão forma a 117 locações distintas. Para que os 233 bonecos transmitissem emoção real, foram criados 142.030 rostos substituíveis, trocados quadro a quadro. O número supera os cerca de 106 mil de Link Perdido, até então o recorde entre os longas em stop-motion. Cada personagem principal recebe um rosto único para cada quadro de animação, o equivalente a 24 rostos por segundo de filme, e cada um deles é preservado no acervo da LAIKA como uma obra de arte individual.


  • Recorde no stop-motion: uma única cena exigiu 1.124 rostos substituíveis, 555 para Prue e 569 para Curtis. Segundo a LAIKA, é o maior número já usado em um único plano na história da técnica.

  • Lágrimas: 67 planos mostram lágrimas visíveis, mais de dez vezes o recorde anterior do estúdio, que pertencia a Os Boxtrolls, com apenas seis.

  • Do minúsculo ao gigante: o menor boneco, a Mini Septima, tem apenas 4,1 cm de altura. O maior, a General, mede 86 cm do bico à cauda e tem 1,63 m de envergadura, a altura de um adulto.

  • Pena por pena: cada boneco da General carrega 3.794 penas colocadas individualmente.

bastidores de O Bosque Selvagem
bastidores de O Bosque Selvagem
  • Uma floresta feita à mão: 728 árvores artesanais representam dez espécies do noroeste do Pacífico. A armação mais alta chega a 5,72 m, quase a altura de um sobrado.

  • Do tamanho de dois campos de futebol: as filmagens ocuparam 112 palcos, em uma área de mais de 14.400 m².

  • De São Paulo a Brasília em arame: a produção usou cerca de 1.151 km de arame de latão, mais que a distância rodoviária entre as duas cidades. Todo o material foi reciclado ao fim das filmagens.


Brasileiros em "O Bosque Selvagem":



Entre os profissionais que contribuíram para dar vida ao universo fantástico do filme estão Thiago Calçado, animador de stop-motion com experiência em algumas das principais produções internacionais da técnica, e Marcelo Amp, especialista em moldagem e fundição de silicone.


Thiago Calçado volta a trabalhar com o diretor Travis Knight após participar de “Kubo e as Cordas Mágicas” (2016), produção da LAIKA indicada ao Oscar® de Melhor Animação e de Melhores Efeitos Visuais, além de vencedora do BAFTA® de Melhor Animação, de três prêmios Annie® e do National Board of Review®. Ao longo da carreira, Calçado também fez parte da equipe de animação de ‘Minhocas’ e 'Dyrene i Hakkebakkeskogen’, longa norueguês inspirado no livro clássico de Thorbjørn Egner. Trabalhou no aclamado ‘Ilha dos Cachorros’ (2018), de Wes Anderson, indicado ao Oscar® de Melhor Animação e de Melhor Trilha Sonora Original e vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim.


Outro destaque de sua carreira é a participação como animador sênior de ‘Pinóquio’ (2022) de Guillermo del Toro, e o responsável por animar a Morte, uma das figuras mais marcantes do filme vencedor de outros 71 prêmios ao redor do mundo. Sua trajetória contempla também A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets” (2023), da Aardman, e o desenvolvimento de projetos próprios como diretor: a série de animação 2D “Ana Bolinha” (2021) e “Sol em Dó Ré Mi” (2024), exibida na TV Brasil, que combina animação 2D e stop-motion.



Marcelo Amp integra a equipe de efeitos especiais e trabalhou na criação da pele dos bonecos, uma etapa essencial para garantir a aparência realista dos personagens, a interação dos materiais com a iluminaçãoe a flexibilidade necessária para a animação quadro a quadro. Amp também é conhecido por trabalhar em produções como "Morto Não Fala" (2018), Reza a Lenda (2016), Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro (2018), Remanente: Voltagem (2026).



O Bosque Selvagem estreia em 29 de outubro nos cinemas brasileiros com distribuição da Imagem Filmes.


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