Crítica: Hokum (O Pesadelo da Bruxa)
- Lagoa Nerd
- há 16 horas
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Crítica por Camila S
Filme estreia nos cinemas dia 21 de maio distribuído pela Diamond Films

Após assistir ao filme, fui pesquisar o significado de "Hokum" e encontrei uma definição curiosa: “escrita e entretenimento pretensiosos e exagerados, muitas vezes destinados a manipular a audiência”. E imediatamente entendi que esse era exatamente o jogo metalinguístico do diretor. No Brasil, o longa recebeu o subtítulo "O Pesadelo da Bruxa", uma escolha que pode frustrar o público, já que a figura da bruxa mal aparece em cena.
Na trama, acompanhamos Ohm, um escritor de passado sombrio que retorna ao hotel onde seus pais passaram a lua de mel em busca de inspiração. O que ele encontra, porém, é algo muito mais denso e sobrenatural.

O protagonista é absolutamente detestável; não há um "mocinho" para quem torcer, o que torna a experiência intrigante. Ainda assim, a história é envolvente e o mistério sustenta o interesse.
O diretor Damian Mcarthy (de Oddity) prova mais uma vez que sabe construir uma atmosfera de tensão pura. Ambientado quase inteiramente no hotel, o filme utiliza o cenário de forma inteligente, fugindo do uso excessivo de jumpscares e focando no desconforto das situações. Adam Scott, que costumamos ver em comédias ou dramas, entrega uma atuação competente e convence como o escritor arrogante e cínico.


A questão do sobrenatural não é muito aprofundada e creio que isso seja proposital. Fica claro que os verdadeiros vilões são os humanos, não as lendas. O filme nos joga em um mar de personagens com decisões terríveis para mostrar onde mora a real crueldade.
O uso de "Hokum" no título original funciona como um comentário sobre a própria natureza do medo. Sugere que, enquanto o protagonista tenta descartar os eventos como "histórias bobas" ou "truques" (o seu próprio hokum), o terror é, na verdade, inescapável. Embora o filme brinque com as expectativas do público sobre o que é real e o que é "truque de cinema" — e pudesse ter explorado ainda mais esses exageros —, o resultado final é uma obra interessante que sustenta bem o mistério a que se propõe.
