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Crítica | O outro lado das Redes ( The Social Reckoning, 2026) - "Querosene e fósforos "

há 10 horas
5 min de leitura

O outro lado das Redes ( The Social Reckoning, 2026) chega na 50 Mostra Internacional de cinema de São Paulo o filme dirigido e roteirizado por Aaron Sorkins

  O outro lado das Redes Crédito: Sony Pictures/Divulgação 
  O outro lado das Redes Crédito: Sony Pictures/Divulgação 

Nesta nova trama impactante baseada em fatos reais e também nos arquivos do Facebook revelados em uma série de reportagens do The Wall Street Journal publicados em 2021 conhecido como "The Facebook Files " ( os arquivos do Facebook)


Na trama, Mikey interpreta Frances Haugen, a engenheira ( cientista de dados) do Facebook que vazou os arquivos, enquanto Jeremy Allen White vive o jornalista Jeff Horwitz, que investiga o escândalo, e Jeremy Strong ( que substitui Jesse Eisenberg) encarna o dono do Facebook, Mark Zuckerberg.


Na época, as matérias repercutiram os documentos vazados do Facebook sobre o funcionamento interno, as polêmicas, os danos causados aos usuários e as falhas da plataforma.  como por exemplo 64 % dos usuários serem induzidos pelo algoritmo da rede a irem e cairem em conteúdos de extremistas, de ódio e fake news e como isso foi aumentando ao longo do tempo seja pelo ajuste do algoritmo e como isso inflava o engajamento seja por curtidas, comentários e compartilhamentos e pelo chamado ISS (Integrity Systems and Standards - Sistemas e Padrões de Integridade) que fazia vista grossa na proteção da própria empresa


  O outro lado das Redes Crédito: Sony Pictures/Divulgação 
  O outro lado das Redes Crédito: Sony Pictures/Divulgação 

A trama é bem construída e diferente do seu antecessor melhora em relacionar a cronologia dos fatos ocorridos mesmo quando vai para o passado como o presente mas elencando períodos importantes da trama

Certas críticas que acabei lendo falam que o conteúdo do filme não é revelador e pouco chamativo em partes concordo pois o filme poderia trazer mais exemplos impactantes mas mesmo o que é mostrado nele se torna revelador e já chama bastante a atenção dada a sua relevância e importância e como muita gente tem memória curta é bom e necessário relembrar fatos mesmos que sejam recentes


Os atores interpretam bem seus papéis principalmente as mulheres em destaque Mikey Madison (Anora) como Frances que vem com uma atuação potente e que acredito que venha brigar forte para mais indicações e mais uma indicação ao Oscar de melhor atriz


Ela faz de sua personagem mesmo sendo formada em ciência de dados e um ponto fora da curva e o lado mais humano quando analisa observa mapeia e extrai os dados e trabalhando no sistema de integridade da empresa, para mostrar o que de fato estava ocorrendo e o que não está sendo feito para o setor da própria empresa incumbido de mapear os danos da rede e propor soluções que frequentemente eram atenuadas para proteger o crescimento da plataforma. mesmo que ela ame trabalhar no Facebook e por amar o local e a empresa que ela convive ela quer que as atrocidades parem mas que ela percebe que essas informações precisam ser expostas para que algo seja feito e são números e porcentagens absurdas danosas e alarmantes e realmente uma atuação de destaque obstinada e poderosa

  O outro lado das Redes Crédito: Sony Pictures/Divulgação 
  O outro lado das Redes Crédito: Sony Pictures/Divulgação 

Um detalhe que um dos motivos de Frances começar a verificar tudo isso, é devido á um vídeo de uma jovem ( que descobrimos que tem uma ligação com ela) que afronta policiais quando os mesmos tentam a ajudar em uma pequena abordagem e como o que aconteceu dessa porcentagem de usuários cairem em grupos de ódio e fake news consegue modificar drasticamente o comportamento e os pensamentos das pessoas tornando pessoas calmas e pacificas se tornarem violentas, afrontosas, de pavio curto e que mesmo uma simples abordagem ou conversa pode sair do controle creio que na hora que é mostrado isso muitas pessoas que verão o filme vão reconhecer padrões seja na sociedade, familiares e amigos ou até em si próprios


Jeremy Allen ( The Bear) faz o repórter contratado pelo The Wall Street Journal que parece ser desprovido de inteligência em vários momentos ou que nem pareça ser um repórter investigativo e da qual Frances precisa explicar diversas vezes o abc das coisas e inclusive chama ele de burro e ele concorda o que acaba sendo um dos pontos fracos do filme

  O outro lado das Redes Crédito: Sony Pictures/Divulgação 
  O outro lado das Redes Crédito: Sony Pictures/Divulgação 

Já Jeremy Strong ( Sucession) faz um Mark Zuckerberg bem distante do que foi o marcante Jesse Eisenberg em A rede Social mas que se assemelha em muito ao Mark Zulkerberg real parecendo por muitas vezes sendo um robô maniqueista insensivel as relações humanas e a filtragem a integridade por mais engajamento e crescimento da empresa ele precisa ser lembrado por diversas vezes o dano que está sendo causado, pois para ele tudo parecem ser números e o que ele defendia como liberdade de expressão nada mais era que vamos lucrar mesmo que seja através do ódio e fake news pois o que importa é o lucro e engajamento


Outra que se destaca é Wunmi Mosaku (Pecadores) como a PR ( relações públicas e gestora de crise da empresa ) e como ela tenta fazer a gerir toda a tempestade


Gosto da direção e roteiro de Aaron Sorkin que já é veterano em suas produções como roteirista e alguns trabalhos na direção como ao abordar os bastidores seja em The West Wing The Newsroom, Conheça os Ricardo’s, os 7 de Chicago, Questão de Honra entre outros

claro que um marco na carreira do deles foi A rede social da qual ele foi roteirista e que o David Fincher dirigiu lá era o surgimento de uma grande empresa por jovens gênios e a tecnologia e com atuações marcantes


Apesar disso ainda sinto que faltou um pouco mais de tempero para dar um pouco mais de sustância a esse longa com fatos tão relevantes



Aqui as atuações de destaque são em menor número mas com solidez pois é o lado obscuro de uma grande empresa que está sendo abordado e que nem sempre as idealizações do inicio vão permanecer como também e possível ponderar e separar A Rede social desta "sequencia" que não considero uma sequência já que nem o diretor e o elenco do longo anterior voltaram para esse novo filme

  O outro lado das Redes Crédito: Sony Pictures/Divulgação 
O outro lado das Redes Crédito: Sony Pictures/Divulgação 

Mas que trás um lado mais sombrio e que verdades tem que ser ditas e expostas doa a quem doer, por um bem maior, ao jogar querosene e fósforos e que seja necessário mexer onde mais doi na reputação e no dinheiro e da qual o filme parece se assemelhar ao que foi o filme Spotlight mas de forma mais branda mas com os danos causados por algoritmos e de forma mais atual e que precisamos ficar atentos e ter pensamento critico quanto ao que consumimos de conteúdo e quando sem percebermos podemos cair em grupos de ódio e extremistas e mostrarmos um lado desconhecido


O outro lado das redes é um filme que recomendo a todos verem e que levem amigos e familiares junto e principalmente a quem acha que isso é inofensivo mas que é bastante relevante para a população de modo geral que consome muito das redes sociais


horários de exibição na Mostra SP

15/10

21:15

CINESYSTEM BELAS ARTES FREI CANECA 1

16/10

20:00

CINESESC

19/10

18:15

CINE BELAS ARTES SL 1 LEON CAKOFF

21/10

19:30

SOLAR SALA PETROBRAS

FICHA TÉCNICA

Direção e roteiro: Aaron Sorkin

Produção: Todd Black, p.g.a., Peter Rice, p.g.a., Aaron Sorkin, p.g.a., Stuart Besser, p.g.a.

Produção Executiva: Lauren Lohman, Roger McNamee, Ellen Goldsmith-Vein, Broderick Johnson, Andrew A. Kosove

Elenco: Mikey Madison, Jeremy Allen White, Wunmi Mosaku, Betty Gilpin, Billy Magnussen, Bill Burr, Jeremy Strong








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