
Crítica | Refém Por um Fio (Dead Man’s Wire), 2026
- Lagoa Nerd

- há 2 horas
- 2 min de leitura
Crítica por Alexandre Salazar
Filme estreou nos cinemas no dia 20 de agosto distribuido pela Pandora Filmes
Dirigido por Gus Van Sant, com Bill Skarsgård, Dacre Montgomery, Colman Domingo e Al Pacino. Suspense baseado em caso real teve sua première no Festival de Veneza

Em 1977 Tony Kiritsis sequestra um corretor imobiliário e o mantém refém por 3 dias. Pela primeira vez, a mídia pode cobrir o evento ao vivo. Para alguns Tony era um herói, para outros ele era um bandido maluco. Essa chamada pertence ao
documentário Dead Man's Line, e oito anos depois do ótimo drama biográfico (A Pé Ele Não Vai Longe), Gus Van Sant retorna com uma direção novamente sóbria e convencional, distante da experimentação formal que marcou alguns dos momentos mais interessantes de sua carreira.
Tony Kiritsis (Bill Skarsgård) havia comprado um terreno com financiamento da Meridian Mortgage Company e acredita ter sido enganado pela empresa, em longo embate com essa durante quatro anos, decide tomar uma atitude drástica
sequestrando o filho do dono da empresa, Richard Hall. Tony desenvolve um mecanismo que amarra um fio no gatilho de uma arma apontada para a cabeça de Richard Hall.

Curiosidade: o título do filme funciona tanto em inglês quanto em português. Dead Man’s Wire faz um jogo de palavras com dead man’s switch, nome dado a um mecanismo de segurança acionado quando o operador deixa de realizar determinada ação, geralmente por estar incapacitado, inconsciente ou morto.
No filme, o “switch” dá lugar ao “wire” justamente por causa do fio ligado ao gatilho da arma. Já o título brasileiro, Refém por um Fio, aproveita muito bem a expressão “por um fio”: além de indicar que a vida de Richard está constantemente em risco, ela também funciona de maneira literal, já que um fio conecta o mecanismo à arma apontada para sua cabeça.

No decorrer da situação somos colocados em um debate interno, Tony está certo?
Sua atitude é justificada? Revoltado demais para conversar ou negociar com as autoridades locais, ele tem uma forte simpatia pelo DJ radialista Fred Temple (Colman Domingo), que faz o intermédio de toda a situação com Tony e a polícia.
Al Pacino faz o dono da empresa, M.L. Hall, firme em seu papel de empresário sem escrúpulos, que não faz questão de interagir com Tony, mesmo este tendo seu filho como refém.


Há também um comentário sobre como o caso é tratado pela mídia, já que logo ganha atenção nos primeiros momentos quando Richard é transportado por Tony de um ponto a outro casualmente no meio da rua, depois no carro e depois em sua casa.
Pouco se vê da direção autoral de Gus Van Sant em seus últimos filmes, escolhendo projetos sóbrios e lineares, o diretor segue rumo a uma direção estável, porém esquecível. Ao terminar Refém Por Um Fio, o imediato pensamento vem cabeça: “Este filme poderia bem ter sido um documentário” talvez valha conferir “Dead Man’s Line
confira o trailer




Comentários