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  • Foto do escritorPablo Escobar

Zona de Interesse: Horror é mostrado através da banalidade do cotidiano


Zona de Interesse - Crédito: Divulgação

Adicionado recentemente ao catálogo da Prime Vídeo, o longa, vencedor do Oscar de filme estrangeiro, chega para mudar a maneira de fazer cinema, quando o tema é Segunda Guerra Mundial. Em sua nova empreitada cinematográfica, o diretor Jonathan Glazer revisita, de maneira sutil, mas pontual, em sua narrativa, os horrores de Auschwitz, sob a perspectiva da família de seu comandante. Um longa ousado e que com certeza tira reflexões do que está acontecendo no mundo contemporâneo, onde praticamente se vê chefes de estados dizimando outras nações e tornando a vida humana mera peça descartável para objetivos políticos e de poder.


No filme, acompanha-se a história da família de Rudolf Hoss, comandante do exército alemão na Segunda Guerra, que mora literalmente ao lado de Auschwitz e lidera as operações dentro daquele que ficou conhecido como o mais brutal campo de concentração da Alemanha de Hitler. De uma forma menos convencional ou hollywoodiana, Glazer nos traz a rotina dessa família, de forma até simples mostrando o desenrolar das atividades do patriarca e suas obrigações com seus subordinados, e de seus entes, filhos e sua esposa, essa interpretada por Sandra Hüller, que teve no ano de 2023 o ponto alto de sua carreira com 2 longas indicados ao Oscar de melhor Filme, e sua interpretação em (Anatomia de um Queda) esse que lhe rendeu indicação a Melhor Atriz.


Sandra Huller em Zona de Interesse - Crédito: Divulgação

A estranheza dessa rotina é percebida por um dos melhores trabalhos sonoros recentes, a trilha de Mica Levi aqui é marcante, onde alia muito bem a mistura do som diegético com sons abafados e notas pesadas. Aqui temos um auxílio da fotografia que raramente é espetaculosa, segue por muitas vezes parada, estática acompanhando os diálogos dos personagens, mas tem um travelling lateral marcante da personagem da esposa de Rudolf em um plano aberto onde vemos ela caminhando, enquanto ao seu lado do outro lado do muro, vemos a fumaça saindo das chaminés das câmaras de gás que ali matara milhares de judeus.


É um filme de ritmo bem cadenciado onde nas entrelinhas do roteiro, som e imagem percebemos a total falta de percepção dos horrores e crimes de guerras, por parte dos personagens, são barbaridades sendo cometidas embaixo do nariz de todos que sequer tem relevância, quando se ganha um casaco de uma prisioneira, ou quando se ouve a chegada do trem trazendo prisioneiros para testar uma câmara de gás mais efetiva, o som constante de tiros fuzilando pessoas. Glazer traz um desconforto primoroso ao seu espectador, sem que acompanhemos os dramas dessa família, tentando humanizá-los ou ter empatia por eles. O diretor é cirúrgico ao mostrar essa rotina em meio ao maior terror vivido nos campos de concentração da Alemanha Nazista. Filmaço!


Zona de Interesse - Crédito: Divulgação






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